Enciclopédia do futebol lança livro de memórias
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de outubro de 1998
Ed Carlos Rocha 
O ex-lateral-esquerdo Nilton Santos, 73 anos, bicampeão do mundo pela Seleção Brasileira de Futebol, em 58 e 62, é considerado uma Enciclopédia do Futebol devido aos seus conhecimentos sobre o esporte. Quem já teve a oportunidade de bater um papo com o ex-craque comprovou isso. Mas quem não teve esse privilégio, poderá se deliciar com as histórias de Nilton Santos no livro Minha Bola, Minha Vida, no qual o lateral retrata histórias curiosas dos seus 17 anos de carreira.
O livro, de 249 páginas, sendo boa parte delas preenchida com fotos de momentos da carreira do craque e depoimentos de ex-companheiros, como Pelé e Gérson, vem sendo lançado em etapas por todo o Brasil há um mês. Em Curitiba, o lançamento foi feito durante um jantar de comemoração aos 89 anos do Coritiba. Nos próximos dias o livro estará sendo comercializado nas principais livrarias da cidade por cerca de R$ 20,00.
Nilton Santos gosta de conversar, mas não gosta de escrever. Segundo ele, o livro estava na boca do forno desde que parou de jogar futebol, em 1964, e só saiu por insistência de amigos e da própria esposa, Célia. Desde que parei de jogar, todo mundo me dizia para dividir com as pessoas, num livro, algumas das histórias que vivi dentro do futebol. Acabei me convencendo. O ex-jogador conta que demorou dois anos para sintetizar as histórias que mais poderiam interessar aos leitores. Nesses últimos dois anos dormi com um lápis, papel e um gravador ao lado do travesseiro, pois acordava lembrando de alguma história e imediatamente escrevia ou gravava para não esquecer.
O livro, segundo o próprio Nilton Santos define, é um relato gostoso e descomprometido de episódios vividos em viagens, concentrações, treinos e jogos da Seleção Brasileira e do Botafogo, único clube que defendeu durante toda a sua carreira. Histórias como a de um torcedor penetra, o Ximbica, que vivia enganando todo mundo para conseguir entrar na concentração da Seleção Brasileira, declara. Também não faltam histórias de Garrincha, a quem Nilton Santos define como um dos seus melhores amigos. Ele era insuportavelmente alegre e brincalhão. Nunca estava triste e nunca fazia mal para ninguém, a não se para ele mesmo, com a bebida.
Antes mesmo de completar o lançamento do livro pelo Brasil, Nilton Santos já adianta que foi o primeiro e último. Dá muito trabalho escrever. Prefiro contar as histórias. E gosta tanto de conversar que não é difícil arrancar dele informações curiosas, como sobre a sua posição, em que é considerado o melhor jogador de todos os tempos. Nunca quis ser lateral. No time do Exército, no qual jogava antes de ir para o Botafogo, em 1947, era meia-esquerda. Mas cheguei no Botafogo para fazer teste e logo me puseram na lateral. Como queria seguir carreira, nem retruquei. Nilton também faz questão de dar opiniões contundentes sobre o futebol atual. Para ele, os jogadores de hoje treinam demais e jogam de menos. Hoje treinam de manhã, de tarde e de noite e se transformam mais em atletas dos que em jogadores.


