A primeira exposição internacional de histórias em quadrinhos foi realizada no Brasil, em São Paulo, em 1951. Só doze anos depois, um evento semelhante seria organizado na Europa. Um dos autores da façanha, Álvaro de Moya, chega a Londrina amanhã a convite do Centro Cultural Eloyr Pacheco para participar da inauguração de uma quadrinhoteca - batizada com seu nome - e realizar uma palestra no sábado.
Considerado o maior especialista em quadrinhos no País, Moya é autor de vários livros sobre o assunto, entre eles ''Shazam!'' (1970), ''História da História em Quadrinhos'' (1993), ''O Mundo de Walt Disney'' (1996) e ''Histórias em Quadrinhos no Brasil'' (2003). Como ilustrador, trabalhou para Walt Disney, Maurício de Sousa e Editora Abril (na qual foi responsável por capas das revistas ''O Pato Donald'' e ''Mickey'').
Também desenhou versões para os quadrinhos de clássicos da literatura e do terror. Correspondente da revista Wittyworld, dos Estados Unidos, foi colaborador de enciclopédias editadas na França, Espanha, Itália e Estados Unidos. Ao longo da carreira, atuou ainda como roteirista, produtor e diretor de cinema e TV, tendo participado da implantação da televisão brasileira nos anos 50.
Nascido em 1930, Moya é professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP). Ele desembarca em Londrina através do projeto ''Ilustre Convidado'', que trouxe no mês passado o quadrinhista gaúcho André Coelho. Amanhã receberá uma homenagem no Centro Cultural com a abertura de uma quadrinhoteca com seu nome e cujo acervo vai abrigar inicialmente títulos doados por integrantes da Associação de Quadrinhistas de Londrina.
A sala funcionará como local de consultas e pesquisas e estará aberta de segunda a sábado, das 14 às 17 horas. No sábado, ele faz uma palestra, seguida de bate-papo com o público e sessão de autógrafos.
Serviço
Palestra com Álvaro de Moya
Quando - sábado às 14h
Onde - Centro Cultural Eloyr Pacheco (Av. Jorge Casoni, 2242, entre as ruas Maranhão e Santa Catarina), em Londrina
Entrada gratuita
Informações - (43) 3024-2740


ENTREVISTA

Como foi organizar a primeira exposição internacional de histórias em quadrinhos no mundo?
Álvaro de Moya - Quando a realizamos, em 18 de junho de 1951, não tínhamos consciência da importância do evento. Não sabíamos que, com aquela exposição, antevemos o futuro dos quadrinhos ao abordar diversos aspectos que seriam difundidos depois em estudos na Europa e nos Estados Unidos. Nós éramos muito jovens, sem recursos, e fizemos dentro dos limites da época.
Como as histórias em quadrinhos eram vistas na época?
A.M. - O reconhecimento demorou. Na época, quase todo mundo era contra os quadrinhos: a igreja, os padres, os professores. E nós dizíamos que os quadrinhos eram tão importantes quanto o cinema e a literatura. Só mais tarde as pessoas passaram a valorizar essa produção, com os europeus chamando os quadrinhos de ‘‘nona arte’’. As coisas começaram a mudar também através de declarações de grandes artistas como o cineasta italiano Frederico Fellini, que afirmou que aprendeu muito lendo histórias em quadrinhos na infância, e Picasso, que dizia que sua única mágoa era não ter feito história em quadrinhos.
O senhor tem observado algum fenômeno novo no mercado de quadrinhos?
A.M. - Hoje em dia, os quadrinhos não estão mais nas bancas de revistas e sim nas livrarias. Claro que ainda encontramos títulos de super-heróis e trabalhos de Maurício de Souza, mas a maior parte dos artistas autorais publica álbuns de luxo para serem comercializados em livrarias. Uma das razões é que os títulos em bancas ficam expostos em no máximo trinta dias, ao passo que nas livrarias podem ficar indefinidamente e até ganhar uma segunda edição pelas editoras.
Tem acompanhado a produção de novos autores nacionais?
A.M. - Tem muita gente fazendo HQs para o mercado americano, mas não são obras pessoais e sim encomendas de grandes editoras para desenhar títulos de super-heróis. Uma das exceções é a dupla de irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, cuja última graphic novel é a mais vendida atualmente nos Estados Unidos, de acordo com o New York Times.
Que importância o senhor vê na abertura de uma quadrinhoteca?
A.M. - Acho ótimo, porque são bibliotecas de quadrinhos para as pessoas consultarem obras antigas e novas. Fiquei contente com a notícia da inauguração de uma quadrinhoteca em Londrina.

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