ENCERRAMENTO OTIMISTA
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de julho de 2000
Jackeline Seglin De Londrina 
Um clima de otimismo marcou o balanço final do 20º Festival de Música de Londrina (FML). Apesar das dificuldades financeiras que resultaram na redução do orçamento deste ano, os organizadores registraram um saldo positivo em termos de qualidade e de caixa. Em entrevista coletiva, ontem, os diretores do festival, Magali Kleber e Norton Morozowicz, divulgaram os números e analisaram o reflexo dos 10 dias do evento na cidade. Foram mais de 40 concertos em teatros, shoppings, bares, salas e ruas, para um público aproximado de 40 mil pessoas.
Norton Morozowicz observa que foi surpreendente a solidariedade que envolveu o FML, não apenas do corpo docente, como dos participantes e do público em geral. A comunidade abraçou o evento de maneira especial e mostrou uma cumplicidade que deu esse caráter otimista ao festival, disse. Na opinião de Magali Kleber, o 20º FML foi bem-sucedido por ter sido realizado no tamanho certo. Claro que nos 20 anos imaginávamos uma coisa grandiosa, mas a situação do País nos fez pensar e reduzir em tempo, analisou.
O balanço financeiro também teve saldo positivo, ou melhor, zerado. O orçamento no valor aproximado de R$ 300 mil está sendo praticamente todo custeado com recursos obtidos através das leis estadual e municipal de Incentivo à Cultura, com apoio da Universidade Estadual de Londrina e das empresas Copel, Sercomtel, Jabur, Consórcio União, Colégio Universitário e Bristol Hotel. É importante que nos empenhemos para que a Lei Municipal seja mantida, pois junto com a Federal, foi determinante para a realização do evento, destacou Magali Kleber.
Os organizadores acreditam que o festival proporcionou, mais uma vez, um grande trabalho de educação musical. Tivemos variadas atrações musicais, além de 730 alunos inscritos para os cursos alguns muito disputados, principalmente na área vocal , 60 professores e um ciclo de palestras que fechou um registro panorâmico desses 20 anos de festival, apontaram os diretores.
Magali Kleber salientou que o FML desenvolve um trabalho de formação e informação que vem mudando o perfil do espectador londrinense. O público amadurece a cada festival. Londrina tem uma característica calorosa, de ter um público que não rejeita nenhum tipo de repertório, comentou. Por isso o festival está sempre inovando e abrindo o leque para todas as camadas sociais e estilos musicais, completou Morozowicz.
Na opinião dos diretores, o 20º FML ofereceu uma programação à altura deste trabalho. Inclusive com elementos que só acrescentaram ao festival, como o Hamburger Klavier Trio, o Quinteto de Curitiba, a Banda Sinfônica e a Big Band.
A ausência da Orquestra Sinfônica de Londrina (Osuel) no evento por causa da greve da UEL gerou uma série de manifestações na mídia. Para Magali Kleber, a Osuel é um organismo importante e querido pela comunidade e a população, naturalmente, quer sua presença no festival. Mas a greve foi imediatamente anterior ao evento e tínhamos um compromisso com o público e os órgãos promotores. Não podíamos colocar na programação uma atração incerta, ressaltou a diretora.
Magali Kleber e Norton Morozowicz fizeram questão de salientar a importância de algumas parcerias, como a do Colégio Mãe de Deus, que cedeu a estrutura para o festival. Também destacou o trabalho da equipe de colaboradores e o empenho das secretarias estadual e municipal da Cultura. Saímos desse festival com uma sensação boa. Foi difícil. Houve momentos em que nos deparamos em encruzilhadas, mas tivemos a certeza de que o importante é fazer acontecer.


