Encenando a própria história
O suporte dramático da apresentação de A Bella Sônia e Outras Mortas é a história pessoal da diretora Brígida Miranda e da atriz Simone Reis, professoras do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília. A encenação, em estréia nacional, acontece hoje, na Mostra do Filo, às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo, em Londrina.
Temas ligados à vida e à morte, e as sensações do universo feminino compartilhadas dão a linha do monólogo que une dança, canto e texto. A intensidade dos movimentos da atriz, que flutuam entre o suave e o grotesco, como que ritualísticos, exercem ao mesmo tempo fascinação e horror, confere Brígida.
Simone conta que faz experimentações, há cerca de dez anos, com temas inspirados na loucura, vida, morte, vingança, mulher e criança. Sônia passeia pelos personagens, delira e não tem certeza de nada. Ela é uma menina de 14 anos, uma mulher, um monstro, uma vítima e um homem. Não sabe nem se está viva. A peça tem a intenção de mostrar a conexão entre todos esses elementos, adianta.
Pequenas histórias paralelas, entre elas a Valsa nº 6, de Nelson Rodrigues (o monstro entre os personagens), oferecem a estrutura que Simone gosta de explorar no seu trabalho como professora e atriz. Sempre trabalhei muito as variações do corpo, as expressões vocais, as possibilidades da dança, yoga e do balé.
Ela reconhece que coloca a própria alma no espetáculo. A encenação sai das profundezas, mas mesmo obscuro e muito forte, tem um lado lúdico também intenso.
A Bella Sônia e Outras Mortas foi apresentada no ano passado na Nova Zelândia, durante a Conferência Internacional Corpo em Questão. No Brasil, ainda não foi mostrada. Essa também é a primeira vez que as professoras da UnB vêm a Londrina.Milla Petrillo/DivulgaçãoA Bella Sônia e Outras Mortas: monólogo une dança, canto e texto e trata das sensações femininasElisa Marilia Carneiro





