Apesar de ser uma cidade grande, a capital cubana concentra um ar bucólico parecido com as cidades interioranas médias do Brasil. Talvez seja a consequência de um comportamento extremamente comportado imposto pelo regime socialista no poder desde a Revolução de 1959. Os cubanos, apesar de muito bem-humorados e educados, são na maioria pacatos e retraídos.
Parece ser nas noites que os cubanos se ‘soltam’ e se encontram com a extroversão, tão comum entre os povos latino-americanos. Eles saem em grandes turmas, sempre acompanhados de violões, flautas e outros instrumentos musicais. E invadem os bares e restaurantes da chamada Havana Velha, o centro histórico da capital, tocando, cantando e rindo alto.
Muito hospitaleiros, eles conversam num portunhol bastante compreensível e se esforçam para agradar aos turistas. Com os brasileiros, a empatia é instantânea: eles se dizem fãs da música e do futebol brasileiros. Passear sem pressa pelas estreitas e mal iluminadas ruas de Havana, principalmente se a noite for de lua cheia, é um programa imperdível. E quase que totalmente seguro, porque os assaltos são raros.
Entre os muitos bares, restaurantes e boates noturnas de Havana, dois locais merecem destaque a visita: La Bodequita e o Tropicana. La Bodequita del Medio é um bar-restaurante fundado em 1942, e fica no centro velho de Havana a poucos metros da Praça da Cadetral. Funcionando em um antigo sobrado de dois andares, ele serve jantares com comidas típicas cubanas sempre ao som de músicas tocadas ao vivo por competentes bandas.
La Bodequita ficou famoso por ter sido o bar preferido do escritor norte-americano Ernest Hemingway, que adotou Cuba como sua segunda pátria e morou vários anos em Havana. Foi lá que ele encontrou inspiração para escrever grande parte de sua vasta obra; além de tomar homéricas bebedeiras embaladas pela fumaça do mais puro charuto cubano.
O ambiente é simples, mas bastante agradável. O atendimento é rápido, eficiente e alto-astral. A comida é, como em toda Havana, saborosa e bem temperada, à base de carnes de porco, peixes, frango e frutos do mar. Os pratos não são caros, variando entre US$ 10,00 e US$ 20,00. Pelas paredes totalmente rabiscadas, o turista poderá encontrar assinaturas de visitantes ilustres como Pablo Neruda, Nat King Cole, Salvador Allende, Brigitte Bardot e Gabriel García Marquez.
O Cabaret Tropicana é a maior e uma das mais sofisticadas casas de shows noturnos de Havana. As apresentações, com mais de 200 artistas, varam a madrugada ao som de músicas caribenhas, sempre fiéis ao mais puro estilo dos anos 40/50. É o local ideal para os casais que gostam de dançar. Os ingressos custam entre US$ 30,00 e US$ 50,00, dependendo dos shows de cada noite e se o jantar está ou não incluído.
Mas a noite de Havana conta ainda com muitas outras atrações. O Cabaret Parisiense, no Hotel Nacional, conta com shows mais íntimos. O Turquino, no Hotel St. John’s, é famoso por ser um espaço romântico, com a execução de boleros. Os desfiles de moda têm espaço reservado no La Maison. E as modernas discotecas funcionam nos novos hotéis internacionais, notadamente no Meliá Cohiba e no Riviera, onde fica também a belíssima Catedral da Salsa. Vale a pena mergulhar na noite da capital cubana, até porque o turista não tem obrigação de acordar cedo na manhã seguinte.

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