Encanto em movimento
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domingo, 08 de dezembro de 2013
Ana Paula Nascimento<BR>Reportagem Local 
O vigor, a técnica e o visceral estão presentes definitivamente desde o começo do Ballet de Londrina. Isso é o que se pode constatar durante o ensaio da remontagem de dois espetáculos da companhia que serão apresentados nesta segunda-feira, às 20h30, no Anfiteatro do Zerão, como parte da programação comemorativa pelos 20 anos do Ballet de Londrina, que conquistou prestígio nacional e internacional. Na última quinta-feira, o diretor e coreógrafo Leonardo Ramos recebeu da Câmara de Vereadores o diploma de reconhecimento público, mais uma demonstração de respeito a um trabalho sério e competente na área cultural de Londrina.
Na sala de aula da Fundação Cultura Artística de Londrina (Funcart), em uma quarta-feira de muito calor, o que se via eram dezenas de bailarinos suados, em ótimo condicionamento físico, dando o melhor de si na preparação para a performance comemorativa. Resgatar as coreografias chegou a exigir um mês de observação atenta das gravações dos espetáculos por parte de Ramos.
Como a remontagem também vai reunir ex-integrantes da companhia, o desafio extra também foi retomar a memória corporal de quem estava afastado dos palcos há alguns anos, como a bailarina Patricia Proscêncio, que após sete anos apresenta o pas de deux "Um Ex e Dois Futuros" ao lado de Marciano Boletti, ambos do elenco original.
A montagem, que marcou a estreia da companhia em 9 de dezembro de 1993, no Teatro Ouro Verde, faz parte do espetáculo "Um Ex, Um Vazio, Um Dentro, Um Transbordado", coreografado por Jorge Marcos de Oliveira, que idealizou a companhia junto de Leonardo Ramos. Marcos Leão, como era conhecido, faleceu nove dias antes da estreia em um acidente de trânsito.
A apresentação de estreia contou com música ao vivo da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina, que interpretou a sonata para piano e cello de Cezar Frank para a performance dos bailarinos. Na segunda-feira, após a performance de dança ao vivo, será exibido um vídeo com trechos da primeira apresentação.
"Neste final de semana vamos ter uma força-tarefa para fazer os ensaios com o pessoal que vem de fora. É um trabalho desafiador para todos", comenta Ramos, reafirmando que pretende se aposentar da companhia em nove anos. "Na comemoração dos 30 anos, acho que vão ter que me buscar no asilo para participar", brinca Ramos, que teve indicação do vereador Gerson Araujo (PSDB) para receber o título de reconhecimento público. Araujo é pai da bailarina Juliana Araujo, que integrou o primeiro elenco da companhia e hoje mora nos Estados Unidos.
"Sinto-me honrado com a indicação e esse reconhecimento é importante para todos que fizeram parte dessa história. Temos um trabalho coerente no âmbito de formação, artístico e social; através da dança divulgamos o nome de Londrina no Brasil e no exterior", destaca o diretor.
A segunda parte da apresentação traz a remontagem de "...à Cidade", de 1996, um dos maiores sucessos da trajetória da companhia, que agora conta, além do elenco atual, com a participação de outros 16 bailarinos, entre ex-integrantes do Ballet de Londrina e jovens da Escola Municipal de Dança. Com quase 30 bailarinos em cena, o espetáculo de grande impacto e energia transporta para os corpos o movimento pulsante dos centros urbanos, ao som do tango vibrante de Astor Piazzola. Na parte final, vale a pena citar a "queda" de três bailarinos que se utilizam da técnica de rapel para conseguir esse efeito especial.
Para quem assiste à montagem pela segunda vez, como foi o meu caso, a emoção é inevitável e os movimentos horizontais de forte impacto ainda surpreendem. "A ideia era propor ao espectador a oportunidade de observar a cidade como se estivessem de dentro de um ônibus, vendo o lado de fora, com todos seus conflitos e movimentos", explica Ramos.
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