Um instrumento musical milenar do Oriente tem empolgado a comunidade nipo-brasileira de Londrina. Trazido por imigrantes japoneses na região, permaneceu esquecido durante décadas até ser redescoberto pela nova geração de descendentes. O shamisen, cujo som se assemelha ao do banjo americano, virou o cartão-de-visitas do grupo Jishin.
O grupo foi criado em 2003 com o objetivo de divulgar a cultura japonesa na cidade. É formado por crianças, jovens e adultos, com idades entre 6 e 30 anos. ''No início, nossas apresentações consistiam de números de dança acompanhadas de taiko (tambor). Depois a formação foi se desfazendo. O encanto pelo shamisen foi nosso caminho de inovação e permanência das pessoas. Hoje contamos com 20 integrantes'', diz André Yukio Tsukamoto, vice-presidente do Jishin.
O instrumento tem o tamanho de um violão, mas com o braço mais fino e sem marcações. Foi inventado na China e posteriormente adotado no Japão. A versão utilizada pelos londrinenses é fabricada em madeira, com caixa de ressonância recoberta com couro de gato ou cachorro. ''Ele tem três cordas e é dificílimo de manipular porque é tocado com um plectro de plástico chamado de batí. Na primeira aula, a pessoa leva geralmente de 15 a 20 minutos só para aprender a segurar direito'', explica o entusiasta.
O shamisen foi incorporado ao grupo há dois anos, após o primeiro contato com o instrumento durante uma apresentação do Sensei Tsukassa Kaito, de Taubaté (SP). O impacto da apresentação levou-os a convidar Kaito para ministrar aulas periódicas do instrumento em Londrina. Para bancar as viagens do mestre, foram feitas várias promoções, bazares e rifas.
Posteriormente, a empresa A. Yoshi Engenharia passou a patrocinar as atividades do grupo. Com a ajuda, o grupo adquiriu 8 shamisens, dos quais 5 são tocados nos shows. De lá para cá, suas apresentações têm chamado a atenção do público pela diversidade presente na performance. André salienta: ''Além do shamisen, tocamos taikos, yokobue (flauta transversal de bambu) e ainda mostramos danças com coreografias tradicionais de várias regiões do Japão, acompanhadas do leque marcial, baseado em movimentos do ninjutsu. É uma espetáculo variado''.
O repertório reúne desde temas criados especificamente para o shamisen a peças tradicionais e contemporâneas do cancioneiro nipônico. A última apresentação do grupo foi no mês passado, em Curitiba.

Serviço
- Grupo Jishin
Informações - www.jishin.lemacsi.com.br
Contatos - (43) 9923-4496

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