Uma trilha na mata, um rio, uma cachoeira. Isso já seria um cenário perfeito para quem aprecia a natureza e gosta de interagir com ela. Imagine, então, uma seqüência de quedas d’água: duas, três, dez... Ao todo, 275 saltos (que chegam a 70 metros de altura) compõem o visual das Cataratas do Iguaçu, encravada no Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no Paraná. É o mais famoso conjunto de quedas do País, eleito em abril, pela versão italiana da revista Condé Nast Traveller, o campeão na categoria maravilha natural da Terra.
  O passeio começa no centro de visitantes. Ali, os turistas entram num ônibus especial, o único veículo que pode circular dentro do parque. O teto em acrílico permite que a natureza seja admirada. Uma gravação dá instruções em português, espanhol e inglês para que não se jogue lixo nas trilhas nem se alimente os animais.
  Não importa se a visita é feita a pé, em bote ou helicóptero: o lugar surpreende de todo jeito. A trilha pode ser percorrida por qualquer visitante, já que a dificuldade é baixa, e descortina lentamente o espetáculo das águas. A princípio, o programa mostra muitas borboletas e uma rica flora – composta por árvores raras e flores coloridas. Timidamente, surgem pequenas cachoeiras. De repente, em um mirante em meio à vegetação avista-se o primeiro conjunto de saltos. Momento a momento, as imagens tornam-se mais convidativas.
  É impossível não se encantar com os quatis que moram na floresta. São mamíferos mansos e simpáticos que saúdam os visitantes. Encontrá-los não é difícil: ficam espalhados pela mata e, de vez em quando, aparecem nas trilhas. Para atraí-los, basta fazer ruídos com papéis. Eles vêm e até tentam abrir as bolsas dos visitantes em busca de comida. Não ouse pegá-los: pode ser perigoso.
  O ápice ocorre quando se chega à passarela construída sobre o Rio Iguaçu, do lado de um grande salto. Ao percorrê-la, prepare-se para o banho de água fria. No fim do caminho, uma visão imperdível da Garganta do Diabo (uma espécie de paredão em forma de ferradura, coberto por água). Sem contar, claro, o arco-íris que, invariavelmente, aparece por ali – em vários ângulos, diga-se.
  Os saltos não são a única atração do parque nacional. Embrenhar-se na floresta e aproveitar um pouco da ecologia também é permitido, desde que sob a supervisão de guias locais. O passeio conhecido como Macuco Safári tem início numa trilha, percorrida em um carrinho elétrico (ecologicamente correto!). Descobrem-se dados impressionantes: os 185 mil hectares de mata subtropical úmida abrigam 2 mil espécies de vegetais, 800 de borboletas, 300 de pássaros, 72 de mamíferos, 37 de répteis e 20 de anfíbios.
  O monitor conta que há ali exemplares de palmito doce, jerivás, pau-marfim, figueiras bravas, canela, orquídeas, bromélias e outras plantas. Entre os animais, os mais comuns são capivaras, jacarés-de-papo-amarelo, onças-pintadas, antas e macacos-prego. O instrutor lembra que dificilmente os turistas encontrarão animais silvestres nas trilhas. Se isso ocorrer, porém, basta manter a calma e esperá-los passar.
  A segunda etapa do tour pode ser percorrida a pé – quem preferir, no entanto, tem a opção de continuar no carrinho elétrico. Trata-se de uma trilha de 600 metros de extensão que leva a um trecho bastante calmo do Rio Iguaçu, de onde saem grandes botes. Esses barcos levam os visitantes a uma volta com muita ou pouca emoção. Tudo depende da vontade dos turistas: os mais animados podem pedir para se aproximar das grandes quedas.
  Seja qual for a opção, entretanto, os 20 minutos de viagem dão direito a um banho refrescante – não é preciso chegar muito perto das quedas para se molhar – e a uma visão completamente diferente daquela que se vê por cima. Todos os participantes usam coletes salva-vidas. Os condutores das embarcações lembram que não há perigo no trajeto, já que a força das águas que descem pelas cachoeiras impede que os botes sejam sugados. Mas a sensação que se tem é bem diferente. Quando o nível das águas do Rio Iguaçu está baixo, a navegação pelos sete quilômetros é mais tranqüila e essas condições permitem que se chegue bem perto da Garganta do Diabo. Quem optar por fazer um rafting, terá momentos de ainda mais adrenalina.

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