Empresas investem em hotéis e resorts
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de setembro de 1997
Deonilson Roldo Especial para Folha Turismo 
TransformaçãoPraia em Santa Helena: município irá investir cerca de R$ 2,5 milhões num projeto arquitetado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de CuritibaGoverno e prefeituras de todos os municípios da Costa Oeste se movimentam no sentido de incentivar investimentos da iniciativa privada voltados para o turismo, desde que de acordo com as normas de preservação ambiental da região.
Novos empreendimentos são visíveis. Marinas, hotéis, resorts, restaurantes, discotecas foram recentemente inauguradas ou estão em construção. O comércio local também sofre um processo de engorda, com mais lojas e ampliação das já existentes.
Marechal Cândido Rondon, um dos maiores municípios da região, com 46.500 habitantes, está criando um fundo municipal de desenvolvimento para o turismo. O fundo colocará à disposição da iniciativa privada algo em torno de R$ 300 mil a juros subsidiados, com carência de seis meses e dois anos para pagar. Em julho começou a funcionar o seu Conselho Municipal de Turismo, responsável pelo desenvolvimento de projetos e estudos de viabilidade econômica, que serão oferecidos aos interessados em entrar no setor.
Todas as outras cidades planejam mecanismos de fomento ao turismo. E investem em si mesmas. É o caso, por exemplo, da pequena Entre Rios do Oeste, 3 mil habitantes, que está unindo seus recursos (R$ 120 mil de royalties) de Itaipu e mais de R$ 80 mil de arrecadação) para dar vida nova à cidade: canteiros de flores, pintura nova, ciclovia, quiosques e área de camping em sua praia artificial, e organização de palestras e cursos para recepção de turistas.
Transformação Santa Helena é um caso à parte. A cidade, com 20 mil habitantes, está investindo pesado no projeto Costa Oeste. Cerca de R$ 2,5 milhões serão aplicados na transformação física da cidade, arquitetada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), obra que será concluída em três anos. Investimentos também estão sendo feitos para o incentivo à pesca esportiva, na manutenção de sua praia artificial, e no Refúgio Biológico, que será transformado em uma escola de Meio Ambiente.
Recém-emancipada, Itaipulândia, 5 mil habitantes, é um quadro perfeito das mudanças profundas que atingem a região. Alexander Munch, alemão, 67 anos, sete filhos e 16 netos, está investindo R$ 500 mil amealhados na agricultura, onde trabalhou a vida inteira, na construção do maior hotel da cidade e de um posto de gasolina. Desde o início de agosto, quando foi inaugurado, o hotel já está ocupando boa parte dos 44 leitos disponíveis, graças às obras do projeto Costa Oeste e à divulgação dos Jogos Mundiais da Natureza, que têm atraído equipes de diversas modalidades esportivas para treinar na região.
O presidente da associação comercial da cidade, Miguel Birck, proprietário de uma loja de ferragens e material para construção, constata um aumento de vendas da ordem de 20%, também estimulado pelas obras do projeto. Com os novos empreendimentos da iniciativa privada que deverão ocupar os distritos turísticos da região, mais lojas de material de construção estão a caminho.
Outro indício de mudança é a valorização dos imóveis. Os lotes urbanos da região valorizaram cerca de 100% de dezembro para cá. A alta é ainda maior se comparada a outros anos, quando o Projeto Costa Oeste estava apenas sendo pensado pelo Governo do Estado. Há dois anos, em Entre Rios do Oeste, por exemplo, podia ser comprado um terreno de 500 m2 por R$ 1,5 mil. Hoje ele não sai por menos de R$ 5 mil. No mesmo período, a cidade saltou de um para quatro mercados de bom porte e de uma para três floriculturas.
Inglês e espanhol A comunidade também se prepara para receber os turistas. Em quase todas as cidades, franquias da escola de línguas CCAA foram instaladas recentemente e já estão com turmas lotadas. Se a cidade é pequena demais para comportar uma escola, professores são enviados especialmente ao local para atender grupos formados geralmente pelas associações comerciais. A procura é para cursos de inglês e de espanhol.
O importante é não fica de fora. É por isso que empresários, estudantes, funcionários de lojas e de empresas de serviços, além de servidores públicos participam de todos os seminários e cursos sobre atendimento ao turismo que ocorrem na região. A iniciativa geralmente parte da Coordenadoria do Projeto Costa Oeste, das Prefeituras e das Associações Comerciais das cidades. Mas também conta com instituições como Sebrae e Sesc, que já realizaram inúmeros seminários preparatórios em vários municípios.
Como resultado prático de todo esse esforço coletivo, governo e prefituras estão cada vez recebendo maior número de visitantes de todo o País, dispostos a conhecer mais detalhes do projeto. É a prova de que a iniciativa privada está bastante atenta ao desenvolvimento do setor turístico na Costa Oeste.


