Empresas especializadas ajudam a realizar a viagem dos sonhos
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terça-feira, 15 de maio de 2007
Camila Anauate<br>Agência Estado 
São Paulo - Um grupo de amigos faz as malas e embarca para uma pescaria na Amazônia. Outro prefere correr o mundo atrás do calendário das maratonas. Há também os que viajam para conhecer templos, encarar aventuras radicais ou simplesmente badalar em destinos descolados. Cada tribo tem lá as suas preferências - e as empresas de turismo já perceberam isso há algum tempo. Tanto é que não faltam produtos específicos para cada grupo.
''A segmentação do turismo é uma tendência planetária'', confirma o presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), José Zuquim. Mais do que isso, é uma prática fundamental para sobreviver no mercado. ''A agência que trabalha com um único nicho torna-se especialista e não compete com as grandes operadoras'', explica o diretor de Assuntos Internacionais da Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav), Leonel Rossi Júnior. Segundo ele, o número de agências voltadas a públicos específicos cresce a cada ano. ''Considerando que partimos do zero, atualmente já temos empresas especializadas em turismo GLS, de aventura, para o público da terceira idade...''
No site da Braztoa (www.braztoa.com.br), dá para escolher uma operadora pelo tipo de público com que trabalha. O resultado para peregrinos, por exemplo, aponta 24 empresas. Melhor idade conta com 32 e deficientes físicos, com 20. Não que elas sejam exclusivamente voltadas a esses viajantes, mas oferecem, entre outros, os produtos que eles procuram.
Até as grandes operadoras estão criando departamentos para atender turistas diferenciados. A CVC, a maior do Brasil, criou há um ano o departamento para estudantes. A empresa também já oferece viagens para ecoturistas e para a terceira idade. ''É importante segmentar para atender os diferentes nichos e enfrentar a concorrência com a internet'', diz o presidente da CVC, Guilherme Paulus.
Para a coordenadora de Turismo do Senac, Priscila Izawa, a segmentação também é vantajosa porque reduz os custos das operadoras, que passam a negociar os produtos com fornecedores específicos.
Nichos - O nicho GLS tornou-se um dos mais organizados após a criação, há dois anos, da Associação Brasileira de Turismo para GLS (Abrat). ''Promovemos cursos com os receptivos para incentivar esse turismo'', afirma o diretor de Comunicação, Franco Reinaudo. A Abrat já conta com 50 credenciados gay friendly, entre hotéis, operadoras, agências e órgãos oficiais de turismo. Entre as novidades do setor no último semestre estão a agência virtual G Travel Online e a Friendlytur.
Os solteiros também têm serviços exclusivos. O pioneiro foi criado pela TerrAzul há dez anos: o Just for Singles. ''Começou como um produto a mais e, hoje, é o carro-chefe da agência'', comenta a diretora, Yolanda de Oliveira. Já a CBS Singles Tours especializou-se nesse segmento há quatro anos.
Até para quem gosta de correr maratonas mundo afora há programas específicos. A Kamel Turismo investe no segmento desde 1988. Hoje, é a representante oficial no Brasil das maratonas de Nova York, Berlim, Chicago e Londres. A operadora Xtravel também resolveu montar pacotes para maratonistas. E por um gosto pessoal da dona - e corredora -, Ana Maria Coltro.
Adrenalina e estudantes - O ecoturismo também se segmentou. Desde 2001, a Venturas & Aventuras organiza grupos para a terceira idade com o programa Velhinho É a Mãe. ''São três viagens por ano'', conta Jota Marincek, diretor da empresa. A Freeway, por sua vez, investe em programas para deficientes físicos com muita aventura e prática de esportes radicais.
No que diz respeito aos estudantes, a liderança fica com a Cia. Lazer e a Forma Turismo. São elas que organizam as tão esperadas viagens de formatura.


