São Paulo, 22 (AE) - O Creedence Clearwater Revival surgiu em 1959, com o nome de Blue Velvets, na Bay Area, subúrbio de El Cerritto. Só assinaram o primeiro contrato em 1964, com a Fantasy Records, que viria a ser sua gravadora até o fim. Os empresários queriam que mudassem o nome para Golliwogs, vendo no nome um antídoto à invasão britânica que estava acontecendo com Beatles, Rolling Stones, Eric Clapton e Animals. O grupo não aceitou a sugestão.
Mas foi só em 1967 que batizaram a banda como Creedence Clearwater Revival. Seus primeiros singles incluíram as canções "Fight Fire" e "Walk upon the Water", dois grandes clássicos do rock de garagem. Ainda não eram o Creedence, embora já tivesse a formação original.
O que o Creedence trazia de original? Certamente não era uma proposta inusitada, já que sua música era baseada no rhythmnblues básico, no blues e no country. No redemoinho comportamental dos anos 60, no qual todo mundo contestava tudo, o CCR só queria tocar um roquinho para animar festa de bar.
O pulo-do-gato da banda foi com "Down on the Corner" (do disco Willy and the Poor Boys, de 1969), que se tornou seu quinto sucesso no Top 10 da parada americana e os transformou de um folclórico grupo de bar em uma referência internacional do pop dos anos 60.
O brilho foi tão rápido quanto intenso. Com "Cosmos Factory", a banda chegou ao topo, emplacando hits atemporais, como Travellin Band, "Up around the Bend and Looking out My Back Door", assim como a clássica regravação do clássico da Motown "I Heard It Through the Grapevine". Foi o mais vendido disco dos anos 70. Mas as relações entre os irmãos Fogerty eram ruins, o que acabou transparecendo no álbum Pendulum. Em 1971, Tom Fogerty deixava a banda (morreu de aids em 1990). John Fogerty ficou mais um ano e depois a banda seria dissolvida. Seu derradeiro disco, "Mardi Gras", já trazia a marca da dissenção: John Fogerty só toca em quatro das dez faixas; o baixista Stu Cook canta outras três e o baterista Clifford as restantes.
A luta pela primazia de tocar os hits do grupo e de levar adiante os lucros da marca Creedence Clearwater Revival levaria anos arrastando-se por tribunais e por tablóides, sem uma solução. No Brasil, os fãs ouviam seus discos e tomavam conta de suas canções por meio dos covers de gente como Celso Blues Boy e Dr. Sin, além de Bruce Springsteen e outros. Até que, no ano passado, Cook e Clifford resolveram reativar a mística.
Ao ouvir que os remanescentes reuniram um novo grupo para andar pelo mundo tocando as velhas canções do CCR, John Fogerty ironizou: "Eis aí algo que eu gostaria de ver". John também criticou os antigos parceiros recentemente, no programa de David Letterman. O que começou como um velho sonho hippie se transmutou numa briga de copyright. (J.M.)

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