Empresário processa Sílvio Santos por descumprimento de contrato
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de abril de 2000
Por Gustavo Fioratti 
São Paulo, 08 (AE) - Com base em três acusações por descumprimento de contrato, o apresentador de televisão Silvio Santos está sendo processado pelo empresário Jacques Glaz, que até o fim do ano passado esteve a serviço do SBT e de outras empresas do Grupo Sílvio Santos. Entre as várias funções de Glaz ele se diz idealizador do programa "Show do Milhão", que por muitas vezes tem batido a Rede Globo em audiência.
Segundo o advogado de Glaz, Carlos Alberto Alves, as acusações contra Sílvio referem-se ao descumprimento de contratos verbais, ou seja, acordos que não foram descritos em documento assinado. "Eles eram amigos. E não viam a necessidade de formalizar os tratados.", explica.
Alves de Lima afirma que os contratos estabeleciam que Glaz teria direito a 10% de todo o lucro obtido com o programa "Show do Milhão", incluindo as vendas relacionadas ao programa
como o CD-ROM que leva o nome do Show. Teria também privilégios relacionados à participação acionária do provedor na Internet Sol, pertencente ao grupo, e ao cargo de representante do SBT nos Estados Unidos e Canadá.
Glaz alega que sugeriu a idéia do "Show do Milhão", inspirado no norte-americano "Who Wants To Be Millionaire?", trabalhou na confecção do programa, realizou parte da estratégia de veiculação e supervisionou algumas edições do trabalho, entre outros detalhes. Por isso teria direito a participação na receita do programa.
O empresário afirma também que foi responsável pela estratégia de divulgação do provedor Sol - por isso Sílvio teria lhe prometido ações dentro da empresa - e no planejamento do SBT Internacional, veículo que transmitiria determinada programação do SBT nos EUA e no Canadá. Por essa última função, Sílvio teria prometido a Glaz o cargo de representante da empresa nos dois países durante um ano. Mas, segundo o empresário, Silvio não cumpriu nenhuma das promessas.
Glaz não recebeu nenhuma quantia em dinheiro, nenhum cargo acionário, nenhuma resposta pelo trabalho que realizou, como está citado no processo. "Não recebi absolutamente nada, nem o reembolso das despesas que tive com todo esse trabalho", diz.
O empresário afirma ainda que não entende a reação de Sílvio, principalmente porque mantinham um relacionamento amistoso. "Eu sou...quer dizer, eu era amigo do Sílvio há mais de vinte anos. Não entendo porque ele fez isso". Segundo Glaz, logo depois da primeira série do "Show do Milhão", finalizada em novembro, ele teria recebido um telefonema pessoal de Sílvio. O empresário encerrava o acordo sem mais explicações alegando ter motivos pessoais para sua atitude. "Depois disso, Sílvio proibiu toda a diretoria da empresa de me atender ao telefone", acrescenta.
O processo foi encaminhado à 18° vara judicial e está sob a responsabilidade do juiz Luís Beethoven Gifone Ferreira. Exige, entre outras coisas, o cumprimento das promessas de Sílvio: os 10% dos lucros obtidos com o "Show do Milhão", uma porcentagem das ações do provedor Sol e um valor correspondente à perda do cargo no SBT Internacional. As provas de Glaz contra Sílvio incluem e-mails e correspondências trocadas entre os empresários e entre Glaz e a diretoria do SBT. A empresa diz que só irá se pronunciar no tribunal.


