A empresa Calvin Entretenimento, que promove o Festival de Teatro de Curitiba (FTC), responde a duas ações na Justiça, em Curitiba, por não ter pago os direitos autorais das peças apresentadas em duas edições do evento – 1999 e 2000. Considerado o maior festival profissional do País, o FTC inicia sua décima edição na quinta-feira.
As ações judiciais foram movidas pelo escritório paranaense da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat), que obteve decisão favorável em - primeira instância. Segundo a Folha apurou, o valor da dívida é de aproximadamente R$ 30 mil. Victor Aronis, sócio da Calvin e diretor geral do FTC, se reunirá hoje com João Fernando Neiva de Lima, representante da Sbat no Paraná, para negociar o pagamento da dívida.
A Calvin, nome fantasia da empresa Esquina do Ingresso Agência de Promoção de Eventos LTDA, é produtora do FTC, que tem como proponete a Associação para o Incentivo à Cultura e ao Entretenimento (Apice). A Apice é uma entidade sem fins lucrativos cujo presidente é o também presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Cassio Chamecki.
Neste ano, a Fundação Cultural está destinando R$ 300 mil ao patrocínio do festival. Desde a primeira edição do evento, a Prefeitura de Curitiba e o governo paranaense já deram ao festival R$ 2,9 milhões. Ao mesmo tempo em que ocupam cargos públicos, Chamecki e o diretor artístico da fundação, Leandro Knopfholz, permanecem sócios da Calvin. Eles alegam que deixaram de exercer funções executivas na empresa.
Além da sonegação de direitos autorais, a Calvin é acusada de atrasar em até um ano o pagamento de prestadores dos serviços de som e iluminação do festival. Beto Bruel, dono da empresa Tamanduá, que atua na iluminação do evento desde 1997, confirmou que recebeu há cerca de dez dias o pagamento do trabalho prestado no festival do ano passado.
Aronis disse que o atraso no pagamento de fornecedores é uma situação normal em eventos culturais. ‘‘Trabalhamos no equilíbrio (financeiro) e também tínhamos muitas pendências a receber. A maior prova de nossa boa vontade é que esses fornecedores continuam trabalhando conosco.’’
Em relação ao não pagamento dos direitos autorais, Aronis afirmou que isso ocorreu principalmente porque a Sbat não teria repassado à empresa os percentuais que deveriam ser recolhidos do cachê de cada companhia que se apresentou no festival em 99 e 2000. O dirigente da Sbat confirmou que a entidade era ‘‘pouco atuante’’ naquela época.

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