Mais uma etapa rumo à construção do Teatro Municipal de Londrina foi realizada ontem, com programação que contou com visita monitorada ao terreno destinado ao espaço cultural na parte da manhã, audiência pública à tarde, no Teatro Zaqueu de Melo, seguida de palestra com o arquiteto José Carlos Serroni, que falou sobre ''Espaços Cenográficos'', e mais uma visita monitorada ao terreno para os arquitetos concorrentes ao concurso que não puderam chegar na parte da manhã. Organizado pelo Instituto de Arquitetura do Brasil (IAB)/PR, o prazo para a inscrição dos anteprojetos no concurso nacional de arquitetura para o teatro municipal encerra-se no dia 25 de fevereiro e até ontem 123 haviam sido inscritos. Os interessados podem se inscrever pelo site www.iabpr.gov.br. O trabalho vencedor receberá um prêmio de R$ 70 mil (além da garantia da contratação para o desenvolvimento do projeto executivo pelo valor de R$ 600 mil); os outros quatro selecionados ganharão R$ 40 mil, R$ 20 mil, R$ 10 mil e R$ 5 mil, respectivamente, além de menções honrosas. A divulgação oficial do resultado está marcada para o dia 16 de março e a data limite para o recebimento de recursos judiciais é no dia 23 do mesmo mês.
Na parte da manhã, cerca de cinquenta arquitetos participaram da visita ao terreno, que fica na antiga fábrica da Anderson Cleyton. ''Ficamos muito satisfeitos com esse número de participantes, do Brasil inteiro, o que já demonstra credibilidade com o trabalho que estamos realizando'', destacou João Suplicy Neto, presidente do IAB, que integrou a mesa durante a audiência pública.
Animada com o que viu, a dupla de arquitetos Flávio Castellotti e Gabriel Duarte, do Rio de Janeiro, elogiou o concurso, mas criticou o fato de não ter sido definido o que haverá ao redor do teatro. ''É muito diferente você projetar um terreno que terá ao seu redor um condomínio residencial, comercial ou um shopping center. Pelo menos uma diretriz deveria já ter sido sinalizada'', ressaltou Castellotti.
Sobre o assunto, o imobiliarista Raul Fulgêncio, que representa os proprietários do terreno, durante a audiência informou que ainda será feita uma pesquisa para identificar a ''vocação do terreno'', embora já se tenha uma indicação de que seja na área de entretenimento.
O secretário de Cultura Luciano Bitencourt afirmou que se não houver muitos recursos judiciais, a expectativa é que o teatro comece a ser construído no final deste ano ou começo do ano que vem. ''Estamos caminhando a passos concretos e a comunidade cultural está nos dando respaldo. Construir esse teatro é um ato de coragem e o prefeito (Nedson Micheleti) tem uma boa articulação política para a discussão de verbas orçamentárias para a construção do teatro'', salientou. O valor total para a construção da parte física é estimado em R$ 32 milhões.
O arquiteto José Carlos Serroni antes da sua palestra comentou que a estrutura teatral brasileira tem melhorado muito nos últimos 20 anos. Ansioso também pelo teatro, considera um ''absurdo'' a cidade que abriga o Festival Internacional de Teatro ainda não ter um teatro de alta qualidade. ''A cidade tem uma efervescência cultural conhecida internacionalmente e torço para o teatro ser um marco para a cidade. Já vi muitos concursos não darem em nada, mas vejo que aqui as coisas estão se encaminhando de forma adequada.''

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