EMPREENDEDORISMO - Aprendendo a pescar
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Eles ainda estão no segundo ano do Ensino Médio, mas já possuem uma visão de futuro diferenciada na área de negócios. Participantes do projeto Miniempresa 2009, da Junior Achievement, cerca de 300 estudantes de escolas públicas e particulares de Londrina tiveram a oportunidade de ter uma experiência prática na organização e operação de uma empresa. Desenvolvido em 15 jornadas semanais, com duração de 3h30, geralmente à noite, o programa ensina conceitos de livre iniciativa, mercado, comercialização e produção. O projeto é acompanhado por quatro profissionais voluntários das áreas de Marketing, Finanças, Recursos Humanos e Produção. Durante o Miniempresa, são explicados os fundamentos da economia de mercado e da atividade empresarial através do método Aprender-Fazendo, onde cada participante se converte em um miniempresário.
Participante do programa desde 2006, o Colégio Maxi teve que fazer neste ano uma seleção com duas fases que incluiu análise de currículo e teste vocacional , para selecionar os alunos interessados nas 30 vagas disponibilizadas.
Com o grupo selecionado, uma das primeiras ações do programa é a definição do produto a ser desenvolvido. Porta-retrato, chaveiro e sacola foram algumas das ideias iniciais. Mas após pesquisa de custo, mercado e viabilidade optou-se pela confecção de lenços de cetim e crepe de seda. Elo lenços: o seu elo com a moda foi o slogan criado.
Para ter o capital inicial para a abertura do negócio, o programa determina a venda de 100 ações. Cada aluno participante do programa só pode comprar uma ação e a orientação é que procurem vender para pessoas que não sejam do círculo familiar. Cada ação da Elo lenços foi vendida a R$ 20, principalmente entre alunos e professores do colégio. E um desfile de moda foi organizado na instituição para divulgar o produto. Ao todo, foram confeccionados 540 lenços vendidos a R$ 12,90 a unidade. Vendas avulsas entre os alunos, em feiras e em consignação em lojas fizeram parte das ações. Os alunos também tiveram que correr atrás de patrocínio para a confecção de banners, flyers e catálogo, além de divulgarem o produto na internet e no Twitter.
Tendo como objetivo uma ação socioambiental, o papel reciclado para a confecção das embalagens foi comprado da Associação de Mulheres Artesãs em Reciclagem (A.M.A.R.), de Londrina. Nós tercerizamos apenas a costura do lenço, mas cuidamos de todo o resto. Desde o corte do tecido, o acabamento, até a montagem das caixinhas, explica a diretora de produção Carina Costa Perez, 17 anos.
Como toda empresa, o grupo também teve que administrar os recursos para o pagamento de impostos, que no caso, pela empresa ser fictícia, teve o valor destinado para o Hospital do Câncer e uma creche. Os participantes também eram remunerados a cada jornada de trabalho: R$ 2,50 (presidente), R$ 2 (diretores) e R$ 1,50 (operários). Lidar com a hierarquia e a convivência interpessoal no âmbito do trabalho foi considerada pelos alunos o maior desafio. No começo me senti bem deslocado na função de presidente. Tem muita pressão e rola aquela conversa que o presidente e a diretoria não fazem nada, conta Douglas Akihiro Tungui, 16 anos.
Satisfeitos com a aprendizagem prática, os alunos comemoram o balanço final mais que positivo da jovem empresa, que indica que cada acionista irá receber R$ 47 pelo investimento, chegando a 135% de lucro.
Pela primeira vez participando do programa, os alunos do Colégio Estadual Newton Guimarães criaram um descanso de panelas feito de papel jornal. Batizado de Jornart, o foco foi produzir um produto ecológico, sendo terceirizada apenas a confecção dos canudinhos de jornal. A montagem, a finalização, a pintura e o verniz foram feitos pelos alunos. No total foram montados 250 descansos, vendidos a R$ 5 a unidade em feiras e entre os alunos e familiares. Já as ações para a obtenção do capital inicial foram comercializadas a R$ 10 cada. O balanço final aponta que os acionistas irão receber R$ 12,50 por ação, um lucro de 25%. Já o valor dos impostos foi revertido em caixas de leite para a Casa do Caminho, além da doação de roupas arrecadadas por eles. Como ação social, eles também arrecadaram garrafas PET para a confecção de enfeites natalinos pela Prefeitura.
Os alunos do Newton Guimarães também reclamaram da dificuldade da convivência interpessoal quando se está trabalhando junto com amigos, mas consideraram como maior desafio conseguir patrocínio para as ações de marketing. A maioria dos empresários não conhecia o programa da Junior Achievement e tivemos uma certa dificuldade nessa parte, comenta um dos alunos. Mas o saldo final é positivo: Valeu muito a pena a participação no programa. Aprendemos a correr sozinhos atrás dos nossos objetivos e a lidar com os conflitos do trabalho em grupo, destaca a presidente Bárbara Westin, 15 anos.
No dia 3 de dezembro, às 19h30, no Recinto José Garcia Molina, acontece a Formatura das miniempresas de 2009 e a premiação em sete categorias. Também participaram deste ano as seguintes instituições: Colégio Funtel, Colégio Estadual Maria do Rosário Castaldi, Colégio Portinari, Colégio Estadual Marcelino Champagnat, Colégio Estadual Hugo Simas, Colégio Sesi, Colégio Universitário e Colégio Estadual Adélia Dionísia Barbosa.
Educação em economia e negócios
A Junior Achievement é a maior e mais antiga organização de educação prática em economia e negócios. Criada nos Estados Unidos, em 1919, é uma fundação educativa sem fins lucrativos, mantida pela iniciativa privada. Seu objetivo é despertar o espírito empreendedor nos jovens, estimular o desenvolvimento pessoal, proporcionar uma visão clara do mundo dos negócios e facilitar o acesso ao mercado de trabalho. Oferece programas de educação econômico-prática e experiências no sistema de livre iniciativa, através da parceria entre escolas e voluntários da classe empresarial que dedicam parte de seu tempo ensinando e compartilhando suas experiências com os alunos. Atualmente, mais de 100 países aplicam seus programas, que beneficia 7 milhões de jovens ao ano.
No Paraná, a Junior Achievement teve sua fundação formal na cidade de Curitiba em 2002, e nos anos seguintes, 2003 e 2004, começou o desenvolvimento e a implantação dos programas. Em 2005 chegou às cidades de Ponta Grossa e Londrina, e no ano de 2008 em mais sete cidades do estado: Apucarana, Cascavel, Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu,
Maringá, Toledo e Umuarama.
O empresário do ramo de panificação Flávio Esteves, 33 anos, desde 2007 é voluntário nos programas da Junior Achievement e neste ano foi conselheiro na área de Recursos Humanos para a miniempresa dos alunos do Maxi. É muito gratificante ver o desenvolvimento dos alunos e poder contribuir. O programa é bem organizado e proporciona a eles uma visão realista de mercado, que pode até ajudar na escolha profissional, ressalta. (A.P.N.)
Mais informações pelos sites
www.juniorachievement.org.br e www.japr.org.br.


