Eles ain­da es­tão no se­gun­do ano do En­si­no Mé­dio, mas já pos­suem uma vi­são de fu­tu­ro di­fe­ren­cia­da na ­área de ne­gó­cios. Par­ti­ci­pan­tes do pro­je­to Mi­niem­pre­sa 2009, da Ju­nior Achie­ve­ment, cer­ca de 300 es­tu­dan­tes de es­co­las pú­bli­cas e par­ti­cu­la­res de Lon­dri­na ti­ve­ram a opor­tu­ni­da­de de ter uma ex­pe­riên­cia prá­ti­ca na or­ga­ni­za­ção e ope­ra­ção de uma em­pre­sa. De­sen­vol­vi­do em 15 jor­na­das se­ma­nais, com du­ra­ção de 3h30, ge­ral­men­te à noi­te, o pro­gra­ma en­si­na con­cei­tos de li­vre ini­cia­ti­va, mer­ca­do, co­mer­cia­li­za­ção e pro­du­ção. O pro­je­to é acom­pa­nha­do por qua­tro pro­fis­sio­nais vo­lun­tá­rios das ­áreas de Mar­ke­ting, Fi­nan­ças, Re­cur­sos Hu­ma­nos e Pro­du­ção. Du­ran­te o Mi­niem­pre­sa, são ex­pli­ca­dos os fun­da­men­tos da eco­no­mia de mer­ca­do e da ati­vi­da­de em­pre­sa­rial atra­vés do mé­to­do Apren­der-Fa­zen­do, on­de ca­da par­ti­ci­pan­te se con­ver­te em um mi­niem­pre­sá­rio.
  Par­ti­ci­pan­te do pro­gra­ma des­de 2006, o Co­lé­gio Ma­xi te­ve que fa­zer nes­te ano uma se­le­ção com ­duas fa­ses – que in­cluiu aná­li­se de cur­rí­cu­lo e tes­te vo­ca­cio­nal –, pa­ra se­le­cio­nar os alu­nos in­te­res­sa­dos nas 30 va­gas dis­po­ni­bi­li­za­das.
  Com o gru­po se­le­cio­na­do, uma das pri­mei­ras ­ações do pro­gra­ma é a de­fi­ni­ção do pro­du­to a ser de­sen­vol­vi­do. Por­ta-re­tra­to, cha­vei­ro e sa­co­la fo­ram al­gu­mas das ­ideias ini­ciais. Mas ­após pes­qui­sa de cus­to, mer­ca­do e via­bi­li­da­de op­tou-se pe­la con­fec­ção de len­ços de ce­tim e cre­pe de se­da. ‘‘Elo len­ços: o seu elo com a ­moda’’ foi o slo­gan cria­do.
  Pa­ra ter o ca­pi­tal ini­cial pa­ra a aber­tu­ra do ne­gó­cio, o pro­gra­ma de­ter­mi­na a ven­da de 100 ­ações. Ca­da alu­no par­ti­ci­pan­te do pro­gra­ma só po­de com­prar uma ­ação e a orien­ta­ção é que pro­cu­rem ven­der pa­ra pes­soas que não se­jam do cír­cu­lo fa­mi­liar. Ca­da ­ação da Elo len­ços foi ven­di­da a R$ 20, prin­ci­pal­men­te en­tre alu­nos e pro­fes­so­res do co­lé­gio. E um des­fi­le de mo­da foi or­ga­ni­za­do na ins­ti­tui­ção pa­ra di­vul­gar o pro­du­to. Ao to­do, fo­ram con­fec­cio­na­dos 540 len­ços ven­di­dos a R$ 12,90 a uni­da­de. Ven­das avul­sas en­tre os alu­nos, em fei­ras e em con­sig­na­ção em lo­jas fi­ze­ram par­te das ­ações. Os alu­nos tam­bém ti­ve­ram que cor­rer ­atrás de pa­tro­cí­nio pa­ra a con­fec­ção de ban­ners, ­flyers e ca­tá­lo­go, ­além de di­vul­ga­rem o pro­du­to na in­ter­net e no Twit­ter.
  Ten­do co­mo ob­je­ti­vo uma ­ação so­cioam­bien­tal, o pa­pel re­ci­cla­do pa­ra a con­fec­ção das em­ba­la­gens foi com­pra­do da As­so­cia­ção de Mu­lhe­res Ar­te­sãs em Re­ci­cla­gem (A.M.A.R.), de Lon­dri­na. ‘‘Nós ter­ce­ri­za­mos ape­nas a cos­tu­ra do len­ço, mas cui­da­mos de to­do o res­to. Des­de o cor­te do te­ci­do, o aca­ba­men­to, até a mon­ta­gem das ­caixinhas’’, ex­pli­ca a di­re­to­ra de pro­du­ção Ca­ri­na Cos­ta Pe­rez, 17 ­anos.
  Co­mo to­da em­pre­sa, o gru­po tam­bém te­ve que ad­mi­nis­trar os re­cur­sos pa­ra o pa­ga­men­to de im­pos­tos, que no ca­so, pe­la em­pre­sa ser fic­tí­cia, te­ve o va­lor des­ti­na­do pa­ra o Hos­pi­tal do Cân­cer e uma cre­che. Os par­ti­ci­pan­tes tam­bém ­eram re­mu­ne­ra­dos a ca­da jor­na­da de tra­ba­lho: R$ 2,50 (pre­si­den­te), R$ 2 (di­re­to­res) e R$ 1,50 (ope­rá­rios). Li­dar com a hie­rar­quia e a con­vi­vên­cia in­ter­pes­soal no âm­bi­to do tra­ba­lho foi con­si­de­ra­da pe­los alu­nos o ­maior de­sa­fio. ‘‘No co­me­ço me sen­ti bem des­lo­ca­do na fun­ção de pre­si­den­te. Tem mui­ta pres­são e ro­la aque­la con­ver­sa que o pre­si­den­te e a di­re­to­ria não fa­zem ­nada’’, con­ta Dou­glas Aki­hi­ro Tun­gui, 16 ­anos.
  Sa­tis­fei­tos com a apren­di­za­gem prá­ti­ca, os alu­nos co­me­mo­ram o ba­lan­ço fi­nal ­mais que po­si­ti­vo da jo­vem em­pre­sa, que in­di­ca que ca­da acio­nis­ta irá re­ce­ber R$ 47 pe­lo in­ves­ti­men­to, che­gan­do a 135% de lu­cro.
  Pe­la pri­mei­ra vez par­ti­ci­pan­do do pro­gra­ma, os alu­nos do Co­lé­gio Es­ta­dual New­ton Gui­ma­rães cria­ram um des­can­so de pa­ne­las fei­to de pa­pel jor­nal. Ba­ti­za­do de Jor­nart, o fo­co foi pro­du­zir um pro­du­to eco­ló­gi­co, sen­do ter­cei­ri­za­da ape­nas a con­fec­ção dos ca­nu­di­nhos de jor­nal. A mon­ta­gem, a fi­na­li­za­ção, a pin­tu­ra e o ver­niz fo­ram fei­tos pe­los alu­nos. No to­tal fo­ram mon­ta­dos 250 des­can­sos, ven­di­dos a R$ 5 a uni­da­de em fei­ras e en­tre os alu­nos e fa­mi­lia­res. Já as ­ações pa­ra a ob­ten­ção do ca­pi­tal ini­cial fo­ram co­mer­cia­li­za­das a R$ 10 ca­da. O ba­lan­ço fi­nal apon­ta que os acio­nis­tas ­irão re­ce­ber R$ 12,50 por ­ação, um lu­cro de 25%. Já o va­lor dos im­pos­tos foi re­ver­ti­do em cai­xas de lei­te pa­ra a Ca­sa do Ca­mi­nho, ­além da doa­ção de rou­pas ar­re­ca­da­das por ­eles. Co­mo ­ação so­cial, ­eles tam­bém ar­re­ca­da­ram gar­ra­fas PET pa­ra a con­fec­ção de en­fei­tes na­ta­li­nos pe­la Pre­fei­tu­ra.
  Os alu­nos do New­ton Gui­ma­rães tam­bém re­cla­ma­ram da di­fi­cul­da­de da con­vi­vên­cia in­ter­pes­soal quan­do se es­tá tra­ba­lhan­do jun­to com ami­gos, mas con­si­de­ra­ram co­mo ­maior de­sa­fio con­se­guir pa­tro­cí­nio pa­ra as ­ações de mar­ke­ting. ‘‘A maio­ria dos em­pre­sá­rios não co­nhe­cia o pro­gra­ma da Ju­nior Achie­ve­ment e ti­ve­mos uma cer­ta di­fi­cul­da­de nes­sa ­parte’’, co­men­ta um dos alu­nos. Mas o sal­do fi­nal é po­si­ti­vo: ‘‘Va­leu mui­to a pe­na a par­ti­ci­pa­ção no pro­gra­ma. Apren­de­mos a cor­rer so­zi­nhos ­atrás dos nos­sos ob­je­ti­vos e a li­dar com os con­fli­tos do tra­ba­lho em ­grupo’’, des­ta­ca a pre­si­den­te Bár­ba­ra Wes­tin, 15 ­anos.
  No dia 3 de de­zem­bro, às 19h30, no Re­cin­to Jo­sé Gar­cia Mo­li­na, acon­te­ce a For­ma­tu­ra das mi­niem­pre­sas de 2009 e a pre­mia­ção em se­te ca­te­go­rias. Tam­bém par­ti­ci­pa­ram des­te ano as se­guin­tes ins­ti­tui­ções: Co­lé­gio Fun­tel, Co­lé­gio Es­ta­dual Ma­ria do Ro­sá­rio Cas­tal­di, Co­lé­gio Por­ti­na­ri, Co­lé­gio Es­ta­dual Mar­ce­li­no Cham­pag­nat, Co­lé­gio Es­ta­dual Hu­go Si­mas, Co­lé­gio Se­si, Co­lé­gio Uni­ver­si­tá­rio e Co­lé­gio Es­ta­dual Adé­lia Dio­ní­sia Bar­bo­sa.


Educação em economia e negócios

  A Junior Achievement é a maior e mais antiga organização de educação prática em economia e negócios. Criada nos Estados Unidos, em 1919, é uma fundação educativa sem fins lucrativos, mantida pela iniciativa privada. Seu objetivo é despertar o espírito empreendedor nos jovens, estimular o desenvolvimento pessoal, proporcionar uma visão clara do mundo dos negócios e facilitar o acesso ao mercado de trabalho. Oferece programas de educação econômico-prática e experiências no sistema de livre iniciativa, através da parceria entre escolas e voluntários da classe empresarial que dedicam parte de seu tempo ensinando e compartilhando suas experiências com os alunos. Atualmente, mais de 100 países aplicam seus programas, que beneficia 7 milhões de jovens ao ano.
  No Paraná, a Junior Achievement teve sua fundação formal na cidade de Curitiba em 2002, e nos anos seguintes, 2003 e 2004, começou o desenvolvimento e a implantação dos programas. Em 2005 chegou às cidades de Ponta Grossa e Londrina, e no ano de 2008 em mais sete cidades do estado: Apucarana, Cascavel, Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu,
Maringá, Toledo e Umuarama.
  O empresário do ramo de panificação Flávio Esteves, 33 anos, desde 2007 é voluntário nos programas da Junior Achievement e neste ano foi conselheiro na área de Recursos Humanos para a miniempresa dos alunos do Maxi. ‘‘É muito gratificante ver o desenvolvimento dos alunos e poder contribuir. O programa é bem organizado e proporciona a eles uma visão realista de mercado, que pode até ajudar na escolha profissional’’, ressalta. (A.P.N.)
  Mais informações pelos sites
www.juniorachievement.org.br e www.japr.org.br.

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