Emplacando o metal extremo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de outubro de 2001
Nelson Sato<br> De Londrina 
O Krisiun conquista o planeta. O slogan que até pouco só aparecia no material de divulgação da banda, está virando manchete nas publicações especializadas de metal extremo.
A cada temporada, o trio gaúcho de death dispara nas apostas como a próxima banda brasileira a virar referência mundial. Com disco novo no mercado, ''Ageless Venomous'' (Century Media), o Krisiun começou esta semana sua primeira turnê pelo Japão.
Depois, faz shows na América Latina ao lado da banda norte-americana Nevermore - uma das apresentações está marcada para o dia 18, no Studio 1250, em Curitiba. Em novembro, iniciam uma longa excursão pela Europa fazendo nove shows na Polônia.
Na sequência, juntam-se ao Kreator e ao Cannibal Corpse para tocar na Polônia, Espanha, Irlanda, França, Escócia, Turquia, Grécia e Portugal. Em dezembro, ainda no Velho Mundo, dividem o palco do ''X-Mass Festival Tour'' com as bandas Nile, Marduk, Vomitory e Dark Funeral. Na semana passada, num dos intervalos das viagens, o baterista Max Kolesne concedeu a seguinte entrevista à Folha2
Esta é a primeira turnê do Krisiun no Japão. Que expectativas vocês têm desses shows?
A expectativa é a melhor possível. Temos contato com fãs, gente de banda e pessoas envolvidas na cena. Recentemente, tocamos na Alemanha e cruzamos com uns japoneses que foram lá apenas para assistir aos nossos shows.
Vocês percebem diferenças no público, de país para país?
É difícil generalizar, porque cada região de cada país tem uma particularidade. Nos Estados Unidos, por exemplo, notamos muitas diferenças na platéia entre as regiões de Massachusetts e Los Angeles. Em uma, o povo é bem metal com todo mundo se vestindo a caráter. Em outra, os shows são mais agressivos, mais agitados. Já na Alemanha, há cidades em que os caras apenas mexem as cabeças e levantam os braços enquanto que em outras eles não param de dar stage diving (salto do palco para a platéia). No geral, a galera é igual no mundo inteiro.
E na parte de produção de shows, as diferenças são muito grandes, especialmente entre o Brasil e a Europa ou os Estados Unidos?
Lá fora, rola esquema profissional até em show de terça-feira em clubes pequenos. No Brasil, é complicado por ser um país de terceiro mundo e cheio de problemas sociais. Os caras armam shows, aí você pede determinado equipamento, mas quando chega na hora não encontra nada no palco. Não é fácil, mas mesmo assim abrimos mão muitas vezes de exigências tocando com equipamentos fuleiros.
Fazendo uma restropectiva da discografia do Krisium, o que você aponta no novo CD como uma evolução da banda?
O Krisium sempre procurou evoluir, seja na produção em estúdio ou na execução das músicas. A banda tem mais de 10 anos e já funciona uma química interna. O feeling é sempre o mesmo, mas em ''Angeless Venomous'' conseguimos colocar mais sentimento nas composições. Outro ponto é que a produção ficou mais limpa, destacando os vocais e os instrumentos em geral. Não aparecem partes emboladas, que é comum em bandas de death. Até nos trechos em que a barulheira está comendo solta, você escuta bem os riffs e os vocais. Agora, o público vai perceber as nuances.
Você está tocando cada vez mais rápido. O que você acha do comentário de que o Krisiun usou bateria eletrônica no disco?
Por um lado é frustrante ouvir isso de quem não conhece a história e a postura da banda. Por outro, recebo isso como um elogio, porque revela a precisão de quem está tocando. O Krisium tem dez anos de dedicação ao metal, dez anos de integridade tocando ao vivo. No ano passado, fizemos mais de 150 shows. Antes de entrar no estúdio, chegamos a ensaiar até seis horas para lapidar as músicas. Por isso, com o Krisiun não rola bateria eletrônica, que rejeitamos totalmente. Heavy metal é vocal, guitarra, baixo e bateria. Eu condeno as bandas que se dizem death e apelam para esse artifício.
O Krisiun atingiu um estágio de sucesso no exterior que muitos comparam à popularidade conquistada pelo Sepultura. Vocês ficam incomodados com a comparação?
O Sepultura foi um espelho para nós dez anos atrás. Eles foram uma influência muito grande. Mas hoje a cena é outra, tudo mudou. A gente veio depois, eles abriram o caminho.


