Empatia e sensibilidade
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Ela nasceu no interior do Mato Grosso do Sul, vem de uma família de cantores e, mesmo seguindo a carreira familiar desde os nove anos, só deixou as artes cênicas para seguir o caminho da música após recente parceria. Ele, o parceiro, desistiu de ser engenheiro para se tornar compositor. Paula Mirhan e Wagner Barbosa exibem a empatia sonora e o talento para produzir canções no elogiado álbum ''Amanhecer'', que empresta o repertório para o show de logo mais, no Teatro Sesc da Esquina, em Curitiba.
Paula, 26 anos, nasceu em Corumbá e, mesmo com a tradição familiar na música, decidiu deixar o interior do Mato Grosso do Sul para investir nas Artes Cênicas em Campinas (SP). Quatro anos depois, já na capital paulista, passou no teste para estudar no Centro Tom Jobim, reduto de grandes profissionais, celeiro de promissores músicos. ''Queria estudar teoria musical, precisava ler partituras para o mestrado que estava fazendo'', justifica.
Wagner, 28, teve uma ''formação difusa'' em Curitiba, com uma família tradicional que cobrava uma profissão com um mercado de trabalho teoricamente mais estável e rentável. Mesmo familiarizado com a música desde os dez anos, mais tarde formou-se no curso de Engenharia Industrial da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e, insatisfeito em ficar distante das partituras, decidiu investir no seu talento musical na Faculdade de Artes do Paraná (FAP), antes de ingressar no Centro Tom Jobim. ''Não gostava de engenharia, queria fazer algo que eu gostasse de verdade'', comenta.
E foi justamente no Centro Tom Jobim que Paula e Wagner se encontraram. Ela precisava de alguém para evoluir musicalmente. Ele, de uma cantora para se apresentar em bares e receber uns trocos. Ambos ganharam mais do que isso. ''A empatia foi muito grande, a gente se tornou amigo muito rápido. Logo depois ele me convidou para gravar um disco'', recorda Paula, ao falar dos primeiros momentos do álbum ''Amanhecer''. ''As músicas pareciam ter sido feitas para ela. De cara houve identificação com os temas e os tons da melodia'', lembra Wagner, ao falar dos ensaios para o álbum, em 2006.
O resultado agradou público e crítica e levou o trabalho da dupla para França, Bélgica, Finlândia e Estônia. Baseado em samba e bossa nova, o repertório conta com pérolas como ''Amanhecer'' e ''Móbile''. ''Gosto de 'Amanhecer' porque é a música mais popular, que leva quem não nos conhece a escutar o disco todo'', afirma Wagner.
No entanto, a queridinha da dupla é mesmo ''Móbile''. ''Gosto pela delicadeza e pelo motivo técnico. É a mais desafiadora do disco, é difícil de cantar e a melodia não é lugar-comum'', reflete Paula. ''Já gostava da música antes de ter mostrado para a Paula. Quando fiz tinha uma proposta nova e foi ali que percebi que se me dedicasse mais poderia chegar em outras canções'', destaca Wagner.
A parceria, que costuma ser comum na MPB, evidencia-se na dupla com um certo frescor, um ar renovado. ''As pessoas gostam muito de vozes femininas. O mercado está cheio de novas cantoras, muita gente nova e boa. Estão vindo novas cantoras, mas não necessariamente em parcerias, ainda mais com composições inéditas'', pensa Paula. ''A gente tem bastante empatia musicalmente e somos muito amigos, o que facilita na hora de discutir soluções para que o show fique mais legal, mais maduro'', complementa Wagner. Só resta, então, conferir isso de perto, logo mais, na programação da 27 Oficina de Música de Curitiba.
Serviço
- Show do disco ''Amanhecer'', de Paula Mirhan e Wagner Barbosa
Quando - Hoje, às 19h
Onde - Teatro Sesc da Esquina (R. Visconde do Rio Branco, 969), em Curitiba
Quanto - R$ 10, R$ 5 (doadores de um quilo de alimento não perecível) e gratuito para alunos da 27 Oficina de Música de Curitiba. Mais informações pelo telefone (41) 3304-2222


