Emoções expressas na fragilidade
Dorico da SilvaDanillo Villa: Quando vejo
meu trabalho, quando falo
sobre ele, me vem à mente
a palavra cartilha, onde se
aprendem as primeiras palavrasEmoções expressas na fragilidade
O
nascimento de uma idéia, de um trabalho, o repouso oferecido pela sombra, o descanso. O trabalho do artista plástico Danillo Villa remetem o espectador mais atento a estas sensações oferecidas pelos signos pictóricos que o artista lança mão em suas obras: mancha, colagem, cama, cadeira, forma geométrica e árvores.
O artista plástico Fernando Augusto define bem a utilização destas figuras: A articulação simbólica destas figuras, imbuídas da forte significação que elas têm em nosso substrato cultural, lembram tanto o nascimento, como o sono que nos recompõe, e a morte.
ReproduçãoS/Título (pigmento, cola e carbono sobre papel)Danillo Villa mescla desenho, colagem e pintura para dar margem à sua forma de pensamento, criação e expressão. O trabalho para ele é uma forma de raciocínio, de conhecimento, da percepção dos lugares por onde passou, do que viu, do que sentiu. São formas soltas que traduzem estas impressões, sempre associadas à idéia de nascimento, idéia primeira. Quando vejo meu trabalho, quando falo sobre ele, me vem à mente a palavra cartilha, onde se aprendem as primeiras palavras, afirma.
O artista plástico associa esta característica de nascimento que seu trabalho sugere à fragilidade do material que utiliza. Como o pensamento, a fragilidade do material tem a ver com nascimento, surgimento, afirma. As 30 obras que está expondo a partir de hoje foram realizadas com material antigo de escritório, como papel de seda, papel carbono, entre outros. Cera de abelha, terra e tinta a óleo também já foram instrumentos de outros trabalhos de Danillo Villa.
O material sugere um despojamento intencional, segundo o artista, mas o resultado final não o denuncia: A experiência com materiais é muito pessoal, tem a ver com o meu processo de trabalho, afirma.
Esta série de obras começou com o artista pesquisando árvores, sombras. A sombra é onde as coisas descansam. O sol não te cega. É frio mas é colorido, é vivo, diz. Para aqueles que vão ver a exposição de Danillo Villa, um toque do artista: É um trabalho para ser visto com cuidado, diz.
Danillo Villa abre o calendário 98 do projeto Sala Celso Garcia Cid da Divisão de Artes Plásticas da Casa da Cultura da UEL. Artistas plásticos passam por uma seleção na qual são escolhidos aqueles que irão expor naquela sala, durante todo o ano. Para 1998 foram selecionados nove artistas de Londrina e dos mais diversos lugares, inclusive de outros países e Estados, entre eles um da Alemanha e um de São Paulo.
Danillo Villa é natural de Exaporã, interior de São Paulo, e está em Londrina há alguns meses como docente do curso de Artes Plásticas da UEL. Na cidade ele expõe pela primeira vez. Formado pela Unicamp, Campinas (SP), Danillo Villa já participou de exposições em São Paulo, Rio de Janeiro, Piracicaba e Campinas.
Exposição Danillo Villa - de 4 a 21 de junho. Abertura hoje, às 20h30, na Sala Celso Garcia Cid, do Cine-Teatro Ouro Verde, Rua Maranhão, 85, em Londrina.





