Emoções em movimento
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de outubro de 2010
Rafael Ceribelli<BR> Reportagem Local 
A dança sempre esteve presente e relacionada intimamente com o desenvolvimento humano. O filosófo grego Platão já apontava os benefícios da dança para a educação moral em sua República utópica, enquanto os espartanos ensaiavam rituais cenográficos com armas para o treinamento militar. Todas as religiões antigas, seja em Roma ou no Império Chinês, incluíam algum tipo de dança para invocar coisas boas ou afastar os maus espíritos. Nas palavras da educadora Isis Moura Tavares em seu livro 'Educação, corpo e arte': ''todos os povos, em todas as épocas e lugares dançaram. Dançaram para expressar revolta ou amor, reverenciar ou afastar deuses, mostrar força ou arrependimento, rezar, conquistar, distrair, enfim, viver!''
Talvez seja como uma volta às suas raízes que o ato de dançar reapareça na modernidade sendo estudado não mais apenas com um apelo puramente estético; para além disso, a dança agora volta a ser reconhecida pelos seus mais variados objetivos educacionais, com os quais expõe a sua complexidade fundamental - uma comunicadora e catalisadora dos sentimentos humanos.
''A dança é uma linguagem artística, uma forma de expressão e comunicação pelo corpo. Portanto, ela contribui para o desenvolvimento do ser humano como um todo, potencializando assim a aprendizagem'', ensina a bailarina Patrícia Proscêncio, coordenadora da Escola Municipal de Dança em Londrina e que atua profissionalmente na área há 16 anos. ''Ao afirmar que na dança o corpo se desenvolve como um todo, queremos dizer que corpo e mente são indissociáveis.'' completa.
Além de ministrar aulas de dança, Patrícia também orienta oficinas para professores e alunos, e é mestre em Educação pela Universidade Estadual de Londrina. Segundo a professora, a atividade é muito importante para o desenvolvimento, dentre outras coisas, da percepção corporal, da socialização, da autoestima, da expressividade e da criatividade, ''A dança não se restringe a uma atividade física que visa apenas deixar o corpo 'bonito', mas contém valores outros: de autoconsciência, independência e autonomia, características extremamente importantes para a vida adulta de um cidadão.''
Outra perspectiva sobre a dança pode ser dada pela psicóloga Alejandra León CedeÀo, que também é bailarina e dá aulas de dança do ventre no projeto ''Ciranda da Cultura'', no bairro Avelino Vieira. ''Eu entendo que na dança o corpo conta as nossas emoções e pensamentos de um modo diferente do que nas outras artes. O movimento energiza a pessoa de uma outra maneira'', analisa a professora, que desenvolve esse projeto com o objetivo de integrar as pessoas da comunidade sob um denominador comum: a paixão pela arte do movimento. ''A dança é um canal para as emoções fluirem e se conectarem consigo mesmas e com as dos outros em seu redor. Esse é o tipo de postura que muda a vida das pessoas.''


