A maternidade foi a inspiração da artista plástica gaúcha Marta Berger na pesquisa da série ''Dependentes'', que estará exposta a partir de hoje, na Sala Celso Garcia Cid, em Londrina. A exposição traz objetos confeccionados com roupinhas de bebê, papel e barbante, totalizando mais de 120 peças.
Formada pela Faculdade de Belas Artes de Novo Hamburgo, Marta Berger desenvolvia trabalhos em gravura e pintura em murais. Há 13 anos ela engravidou do primeiro filho e, para evitar contato com substâncias tóxicas, buscou uma alternativa para trabalhar sua criatividade. A pesquisa resultou na série ''Casulos'', um trabalho com esculturas/modelagens de papel.
A série ''Dependentes'', desenvolvida após o nascimento do segundo filho, foi uma forma de a artista dar continuidade à pesquisa e se livrar alguns sentimentos que a incomodavam. ''Eu não teria mais filhos e, mesmo assim, não conseguia me desfazer das roupinhas de bebê. Os trabalhos dessa série são ligados à minha relação com meus filhos e à forma como lidei com tais sentimentos'', conta.
Os primeiros objetos da exposição são seres com três pés (trípodos) confeccionados com folhas de revistas, agulha e barbante. ''Fiz a relação dos objetos com o que eu estava vivendo. Ao mesmo tempo, casei a idéia com a necessidade de tirar as roupas do armário e botar tudo para fora, utilizando-as nos objetos'', diz. Uma caixa cheia de meias de bebês também foi incluída na série. Depois de mergulhadas em parafinas, as peças compuseram um varal exposto em paredes.
Uma terceira série de objetos é formada por camisetas bordadas com poesias de Kalil Gibran, sobre a maternidade e a relação de mães e filhos. ''Da mesma forma que tirei a roupa do armário, quis tirar a poesia da prateleira'', argumenta. A pesquisa da série ''Dependentes'' levou 2,5 anos. ''Não é uma pesquisa imediatista. Tem um trabalho braçal, o costurado é um processo lento e por isso toma tempo''.
Marta Berger comenta que alguns críticos não se apegam à forma dos objetos da série, mas ao papel (folhas de revistas) que esconde notícias sobre a humanidade. ''É uma outra leitura. Eu falo mais das coisas que me impulsionam a criar os objetos''.
O diretor do Museu de Arte de Santa Catarina, João Evangelista de Andrade Fo, assina o catálogo da exposição e comenta que apesar de as esculturas em papel entramado de Marta Berger serem sempre as mesmas, elas divergem na identidade, ainda mais se apreciadas em conjunto. ''Aí, mediante a disposição, a ocupação do espaço, o responder umas às outras, interagem, criando sua plena significância... A modéstia dos materiais, a aparente simplicidade dos meios escondem um sofisticado pensamento, uma sensibilidade muito grande para captar as imagens do seu tempo''.
Marta Berger reside em Florianópolis há nove anos. Ela já participou de exposições individuais e coletivas em Belo Horizonte (MG), Novo Hamburgo e Porto Alegre (RS), Joinville, Florianópolis, Itajaí e Blumenau (SC), Santos (SP), Brasília (DF), Curitiba (PR), além de Lisboa (Portugal), Buenos Aires (Argentina) e Copenhagem (Dinamarca).


q''Série Dependentes'' Exposição da artista plástica Marta Berger. Abertura: hoje, às 21 horas, na Sala Celso Garcia Cid Cine-Teatro Ouro Verde®MD77¯ ®MDNM¯(Rua Maranhão, 85), em Londrina. Prossegue até 16 de dezembro. Promoção: Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina. Patrocínio: Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

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