Emoção na música intuitiva de Guinga
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Intuição e emoção. Essas foram palavras recorrentes no bate-papo com o violonista e compositor Guinga, que falou um pouco sobre o espetáculo ''Grafiando o Vento'', inédito em Curitiba, onde o artista tem apresentação única hoje à noite, no Guairinha. As músicas do show fazem parte do disco ''Graffiando Vento'', considerado pelo próprio autor um divisor de águas em sua carreira.
Aos 59 anos, Guinga, além de técnica indiscutível com o violão e a simpatia que o tornou uma das figuras mais carismáticas da música popular brasileira, acumula uma rica discografia, de elogiados álbuns, a exemplo de ''Delírio Carioca'' (1993) ''Cine Baronesa'' (2001) e o próprio ''Graffiando Vento'' (2004). Formado em odontologia, tornou-se músico ainda moleque, quando aprendeu a tocar de forma intuitiva.
Em meio ao aprendizado, fez parcerias com nomes consagrados da música brasileira, a exemplo de Clara Nunes, Beth Carvalho, Cartola e João Nogueira. Também emprestou suas composições para gente como Elis Regina, Sérgio Mendes, Leila Pinheiro, Chico Buarque, entre outros. Ainda assim, Guinga acredita que seu reconhecimento, em nível internacional, só tenha acontecido mesmo com ''Graffiando Vento'', gravado ao lado do clarinetista italiano Gabrielle Mirabassi, com quem se apresenta no Guairinha na noite de hoje, em show que faz parte da 28 Oficina de Música de Curitiba.
''Esse disco, gravado na Itália, é muito bem-sucedido na minha discografia. Esse cara (Gabriele) é um gênio do clarinete. É um disco especial pelo músico que ele é, pelo fato de ser meu primeiro instrumental e feito fora do Brasil. Foi um trabalho que abriu muitas portas para mim. As pessoas já me conheciam mas foi com ele que tive unanimidade de crítica na Europa, ''Graffiando Vento'' teve uma carreira boa lá fora. Fiz muitos shows, no Canadá, nos Estados Unidos, Itália, Holanda África...'', conta Guinga.
O violonista destaca também as qualidades do parceiro internacional. ''Tudo o que um instrumento quer é ser o mais próximo da voz humana, o instrumento perfeito que Deus nos deu. São raros os instrumentistas e compositores que 'cantam' com o instrumento. Tom Jobim era 'cantor' quando compunha. As músicas de Pixinguinha 'cantavam' sozinhas. O Villa-Lobos, então... O Gabriele é um músico ímpar, ele 'canta' quando toca clarinete.''
Guinga não toca em Curitiba há aproximadamente dois anos e o show de ''Graffiando Vento'', só apresentado no Brasil em São Paulo e Minas Gerais em duas ocasiões, é inédito por aqui. Além das músicas do disco, o músico deve tocar sucessos da carreira como ''Cine Baronesa'' e ''Baião de Lacan''. ''Também podemos tocar 'Passos e Assovio' uma música que fiz quando tinha 21 anos e o Gabriele resgatou em alguns shows. Pode aparecer essa música e até inéditas, se o Gabriele topar'', adianta.
Serviço
Quando - Hoje, 21h.
Onde - Guairinha, em Curitiba.
Quanto - R$ 20, R$ 10 (meia-entrada) e R$ 5 (alunos da Oficina de Música de Curitiba).


