Emoção na entrega do Shell
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quinta-feira, 12 de março de 1998
Beth Néspoli Agência Estado 
ReproduçãoFúlvio Stefanini, considerado o melhor ator de 97, sentiu-se premiado de verdade e destacou a importância do ShellImpossível chamar de fria a festa de entrega do 10ºPrêmio Shell de Teatro. Fazia um calor de derreter maquiagem no saguão do primeiro andar do Museu da Imagem do Som (MIS), em São Paulo, local da solenidade de entrega dos prêmios, anteontem à noite. Na recepção, cada convidado ganhava um programa com a relação dos 36 indicados em nove categorias. Aquele papel recortado em forma de concha acabou servindo de leque para os cerca de 200 artistas presentes. Em pé, abanando-se o tempo todo, os convidados serviam-se do coquetel enquanto esperavam pelo início da solenidade apresentada pelas atrizes Eva Wilma e Thereza Piffer num pequeno palanque.
Felizmente o roteiro preparado por Thereza Piffer era simples e rápido, fazendo com que toda a cerimônia durasse menos de meia hora. A emoção teria ficado ausente, não fosse Fúlvio Stefanini e Débora Duboc, respectivamente melhor ator, por Caixa 2, e atriz, por Senhorita Else, últimas categorias anunciadas. Ela, recebendo seu primeiro prêmio, vestida para a ocasião, chorou e agradeceu ao pai presente. Ele, premiado no início de sua carreira, falou sobre o jejum dos últimos anos. Não sou um ganhador de prêmios e estou muito emocionado porque se trata de um prêmio importante, uma comissão séria e me sinto premiado de verdade.
Fauzi Arap foi o primeiro a levar o prêmio em forma de concha pela direção de Santidade e Caixa 2. Ausente, foi representado pelo ator Antônio Andrade, do elenco de Santidade, peça que ganharia outros dois prêmios, trilha sonora para Tunica e Aline Meyer, e melhor autor, Zé Vicente. Os outros premiados foram Wagner Freire, pela iluminação de Oscar Wilde e A Lista de Ailce; Fellipe Crescenti, pela cenografia de Salomé; Jaqueline Terpins, também por Salomé. Na categoria especial ganhou o Sesc pelos projetos Outono e Babel e pela exposição Flávio Império.
O calor no local não permitiu que a festa fosse estendida noite adentro. Não contávamos com esse clima nessa época do ano em São Paulo, declarou João Madeira, gerente de marketing cultural da Shell. Uma falha perfeitamente perdoável numa empresa que não só vem distribuindo prêmios há dez anos consecutivos, como há 16 patrocina a atividade teatral.


