Alinne Moraes não esconde que gosta de trabalhar com personagens profundos. Cheios de dramas e histórias próprias. Para a atriz, a modelo Luciana, sua personagem em ''Viver a Vida'', de Manoel Carlos, próxima trama da faixa das oito da Globo, reforça ainda mais a preferência. É que no folhetim, Luciana, modelo conhecida internacionalmente e filha de Marcos, de Jose Mayer, sofre um grave acidente, que a torna tetraplégica. ''Sou uma atriz de altas emoções e me identifico com coisas extremamente dramáticas. Acho que essas histórias funcionam comigo'', afirma, em tom pacífico.
Para o novo papel, Alinne diz estar se preparando mais psicologicamente do que fisicamente. E garante entrar em cena sem sustos, mesmo que em uma cadeira de rodas, com movimentos contidos. ''Não tem como errar, pois me sinto muito preparada. O Maneco vai expor uma realidade que poucos conhecem. É essencial que as pessoas saibam como é para que possam amadurecer'', analisa.
Como a Luciana, antes de ser atriz, Alinne trabalhou como modelo durante seis anos. ''Tive experiência de passarela lá fora, mas muito pouco. Aqui no Brasil fiz muito mais. Isso acaba ajudando, porque até o acidente, a Luciana é uma modelo internacional famosa, que disputa os desfiles com a Helena, da Taís Araújo. Mas quero deixar claro que todo esse drama que o personagem terá não é uma forma de castigo. Aí entra a questão social que o Maneco sabe explorar e é importantíssima. É uma responsabilidade grande para mim, mas minha cabeça está relaxada.
A triz revela que na composição da personagem, no início, olheu para os deficientes com distanciamento, depois comecei a entendê-los e agora, está em uma fase romântica, de classificá-los como heróis. ''Essa vida de deficiência é uma superação diária. Estou há quatro meses fazendo laboratório ao lado da Patrícia Carvalho, uma mestra com quem tive a oportunidade de trabalhar. Estou fazendo todos os procedimentos da personagem na cadeira de rodas e convivendo nesse universo e entendendo cada vez mais. Faço questão de acompanhar como vive uma pessoa que sofre a tetraplegia. Como a pessoa se troca, cuida dos filhos, toma banho. Depois que a gente começa a entender mais sobre o ser humano, tudo fica mais fácil''.

Semelhança cênica

Antes de estrear como a estudante Rosane, em ''Coração de Estudante'', Alinne Moraes estampava muitas capas de revistas de moda e beleza no Brasil e no exterior. Assim como Luciana, a atriz também chegou a trabalhar durante seis anos como modelo e passou por cidades como Tóquio e Nova Iorque. Ela ficou conhecida como modelo quando ganhou um concurso em uma revista ''teen'', aos 12 anos. A partir daí, emendou trabalhos publicitários. Só parou quando resolveu começar a fazer testes para a tevê. Tentou a sorte em ''Presença de Anita'', em 2000, mas o papel caiu nas mãos de Mel Lisboa.
Só em 2002, Alinne conseguiu emplacar seu primeiro personagem. O diretor Alexandre Avancini escolhia novos talentos em agências de modelos quando viu seu composite. Resolveu mostrar as fotos para Ricardo Waddigton, diretor de ''Coração de Estudante'', que a chamou para fazer um teste de elenco. O papel de Rosane acabou calhando para a ex-modelo, que a partir daí, resolveu abandonar de vez a carreira nas passarelas e nos estúdios fotográficos. A atriz confirmou seu talento em ''Mulheres Apaixonadas'', em 2003, que lhe rendeu o convite para ''Da Cor do Pecado'', em 2004. No horário das seis, fez ''Como Uma Onda'', em 2005, e emendou ''Bang Bang'', no mesmo ano. Mas foi em 2007, em ''Duas Caras'', que Alinne diz ter conquistado confiança do público e no trabalho. ''Desde o início percebi que ''Duas Caras'' teria de marcar esse diferencial na minha carreira. E posso dizer que marcou. Foi meu maior sucesso na TV até agora'', avalia.

Duas vezes Maneco

Alinne Moraes estava em sua primeira novela quando foi convidada para viver a estudante Clara, em ''Mulheres Apaixonas'', de Manoel Carlos, em 2002. O papel seria um dos mais polêmicos de sua carreira. Clara era lésbica e tinha um romance com Rafaella, de Paula Picarelli. A atriz confessa que apesar de ter respeito pelo trabalho do autor, sentiu receio em aceitar o convite, por ser tão ousado. ''Aceitei e o público recebeu tão bem que senti que estava no meu caminho'', lembra. Em ''Viver a Vida'', Alinne vive outro drama, mas relacionado à deficiência. E já não sente mais insegurança ao lado de Maneco. Pelo contrário. A atriz garante estar de peito aberto para o novo trabalho. ''Nem penso nas dificuldade. Agradeço muito por esse personagem'', completa.

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