Roberto Menescal não sabe o que perdeu. Convocado para uma palestra previamente agendada, no Rio de Janeiro, sobre bromélias, na condição de vice-presidente da Sociedade Brasileira que cuida desse gênero de planta, não pôde sentir o calor que o público londrinense exalou anteontem, no show ''Aquarela Brasileira''. Transferido para o Country Club, em função da chuva, o espetáculo, agendado inicialmente para o anfiteatro do Zerão, foi marcado pela emoção tanto da platéia como dos outros sete artistas que, no dia anterior, haviam repartido o palco com o compositor, num show só para convidados da Teixeira & Holzmann Empreendimentos Imobiliários. Mas o de domingo vai ficar na história e principalmente na memória das quase 3 mil pessoas que compareceram ao Country Club para prestigiar Cláudia Telles, Fátima Guedes, João Donato, Lucinha Lins, Rosa Passos, Wanda Sá e Zé Luiz Mazziotti. A promoção foi da empreendedora em parceria com a Prefeitura de Londrina e teve apoio da Folha de Londrina.
O show. E que show, hein!? Todos os artistas estavam em estado de graça muitos visivelmente emocionados, alguns com voz embargada diante dos aplausos calorosos vindos de um público atento, apaixonado, hipnotizado com representantes da fina flor da sociedade musical. Alguns estabeleceram empatia imediata e foram ovacionados em apresentações solos. Lucinha Lins esbanjou carisma, foi chamada de ''poderosa'' por uma fã, fez graça e cantou maravilhosamente bem seu maior sucesso ''Purpurina'', agora com um arranco de blues.
No entanto, foi Rosa Passos, com seu porte de diva de jazz, quem mereceu o mais significativo acolhimento ao mostrar todo o suingue foi aplaudida de pé por uma platéia maravilhada com a performance. João Donato, um dos papas da Bossa Nova, foi igualmente reverenciado, rompeu a timidez peculiar e distribuiu gestos e sorrisos de satisfação. Wanda Sá, sem o parceiro Menescal, também foi alvo de saraivada de aplausos e fez uma apresentação cheia de classe.
O fato é que nenhum dos artistas voltou para casa sem um chamego, um carinho especial de Londrina. Cláudia Telles foi incumbida de abrir a maratona de apresentações e, de cara, sentiu que a noite iria render. Fátima Guedes, corajosa, optou por mostrar duas músicas inéditas e um hit (''Lápis de Cor'') e se deu muitíssimo bem. Zé Luiz Mazziotti com seu poderoso vozeirão também não se cabia : ''Sou mais famoso em Londrina do que em minha cidade'', brincou. E ganhou a vidrada platéia.
Donato proporcionou os melhores duetos da noite com Rosa Passos (''A Paz''), Wanda Sá (''A Rã'') e Lucinha Lins (''Nunca Mais). Um time de músicos, o Quinteto Brazilian Jazz, contribuiu e muito para a noitada musical. São eles, Marcos Teixeira (guitarrista e arranjador), Paulo Paulelli (baixo), Celso de Almeida (bateria) e, à parte, com destaques especiais, o pianista Fábio Torres e o trompetista Daniel Pereira.
Se no sábado, primeiro show direcionado apenas a convidados da Teixeira & Holzmann, houve atenção, aplausos sinceros e empatia, no domingo houve comoção. No Country, em show alusivo ao aniversário de Londrina com direito a bolo e parabéns a você estavam pessoas realmente interessadas nos artistas. Pessoas das mais diversas classes sociais que se sentiram tão em casa, tão à vontade que se permitiram cantar e cantar e cantar. Pessoas carinhosas que deram um show à parte, inclusive no quesito ''educação''.
Aí é que está: a iniciativa privada quando quer, promove maravilhas. E a Teixeira & Holzmann, através do conceituado projeto ''Royal Golf in Concert'', acabou angariando dividendos inestimáveis ao oferecer um espetáculo de qualidade à população. Iniciativas como essas precisam ter prosseguimento, ganhar mais corações mesmo que se faça shows para convidados e se for o caso, no dia seguinte, oferecer o mesmo espetáculo a preços simbólicos ao público em geral. Marketing cultural com elegância, em outras palavras.
É preciso cantar e alegrar a cidade, como diria o poeta. E Londrina, pelo o que se viu no domingo, gosta não só de cantar como também de ter acesso a artistas de qualidade incontestável. Se os artistas emocionaram e se emocionaram, mais comovente ainda foi ver o público com o coração na garganta. Lindo, Londrina, lindo!!!

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