São Paulo, 24 (AE) - Ela é a resposta francesa ao italiano Andrea Boccelli e à americana Sarah Brightman, cantores que exploram com extremo sucesso comercial a fronteira entre o pop e o lírico. Emma Shapplin, de 24 anos, uma meio-soprano de olhos verdes e beleza impressionante, tem só um ano de carreira e já desbancou o grupo Air nas paradas francesas cantando canções em italiano e latim arcaico. Deve vir cantar no Brasil no fim do ano. "Se minha música puder convencer as pessoas a ouvir ópera, ótimo", disse a cantora, que está no Brasil divulgando seu disco, "Carmine Meo" (EMI). "Mas eu só quero expressar a mim mesma", afirmou Emma, que nasceu num subúrbio ao sul de Paris e cujo nome verdadeiro é Marie-Ange Chapelain. Ela nega que tenha trocado o nome por conta de uma estratégica globalizante de sua carreira - diz que foi para proteger os parentes mais próximos, que não fazem parte do seu sonho particular.
A canção lírica, na verdade, só entrou na vida de Emma muito recentemente. Antes de cantar árias, ela foi vocalista de uma banda adolescente e gostava de hard rock. Aind hoje, diz, gosta de Aerosmith, Queensrich, David Bowie e cantoras como Desrée e Tanita Tikaram, "pela voz profunda". A primeira ópera a que assistiu, ela conta, foi "D.Giovanni". Confessa que não gostou inicialmente.
Mas conta que passou a ouvir com atenção e foi cooptada. Entre as cantoras líricas, demonstra admiração por Maria Callas e Crystal Ludwig. Já tem algumas propostas para cantar música clássica, mas as tem recusado, por enquanto. "Não estou pronta, preciso de mais técnicas básicas de voz, praticar mais", salienta a cantora.
"Carmine Meo", o trabalho de estréia de Emma Shapplin, tem climas new age criados pelo produtor Jean-Patrick Capdevielle, um produtor de sucesso na França. As canções, em italiano arcaico e latim, foram recuperadas de uma biografia do poeta Petrarca (1304-1374), recentemente descoberta. O disco já tem um hit inequívoco: a canção "Spente le Stelle".
Emma revela que se sente à vontade no cenário híbrido entre pop e erudito. Elogia o timbre de Andrea Boccelli e diz que a americana Celine Dion é uma grande cantora. "Eu não sei se são melodramáticos ou não", afirma. "Todo mundo faz o melhor que pode e eu não sou juíza para julgar".
A cantora cultiva um visual entre o futurista e o medieval, com unhas metálicas e vestidos que evocam cenários dos livros de Bram Stocker e Mary Shelley. "O visual é muito importante para mim, para o meu trabalho", ressalta. "O jeito como você se veste também significa que você pode usar sua imaginação".

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