Emissores de TV cortam custos para diminuir prejuízos
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Por Júlio Gama 
São Paulo, 03 (AE) - Umas mais do que as outras, a exemplo do que ocorre com o restante da indústria no País, as emissoras de TV estão sentindo os efeitos da desvalorização do real. A Bandeirantes cancelou temporariamente a realização de uma série de 12 telefilmes que o diretor-artístico Del Rangel planejava exibir este ano e a novela "Meu Pé de Laranja Lima" terá o custo do capítulo reduzido de US$ 25 mil para US$ 20 mil.
"Está tudo parado", afirma Rangel. A matemática para entender-se o cancelamento dos telefilmes é simples. Cada episódio tem o mesmo preço em dólar, US$ 120 mil, mas, com a alta da moeda norte-americana, pulou de R$ 140 mil para cerca de R$ 200 mil. A proposta era buscar parceria para bancar metade do projeto."Enquanto o dólar não se estabilizar, será difícil encontrar parceiro", acredita o diretor.
A médio prazo, no entanto, Rangel está otimista não apenas quanto à realização dos telefilmes, mas de novos programas para a Bandeirantes. Nos próximos meses, a emissora deve levar ao ar uma novela voltada para o público feminino. Reestruturação - A Manchete, em fase de reestruturação da programação, acha que vai sentir o impacto não na tela, mas na queda da receita publicitária. "Não nos afetou muito porque reestreamos nossa programação depois do dia 12, quando já se sentia a alta do dólar", conta o superintendente-comercial da emissora, Osmar Gonçalves.
Mas o faturamento previsto para a Manchete, de 4% do bolo publicitário, ou algo em torno de R$ 160 milhões, deve sofrer uma queda. "Acho que o primeiro semestre de 99, quando esperávamos uma recuperação do faturamento, vai acabar sendo igual ao segundo semestre de 98, em que se registrou uma queda de até 30% no faturamento", prevê Gonçalves. "Se recuperarmos pelo menos 5% nestes primeiros meses, será campeão". Jornalismo - A primeira vítima no SBT foi o Departamento de Jornalismo, que seria reestruturado em março e agora terá de esperar a poeira baixar. Na emissora de Sílvio Santos, a crise será sentida também na compra de filmes estrangeiros e na produção da novela Chiquititas. A emissora compra em média 50 filmes por ano a preços que variam de US$ 25 mil a US$ 300 mil (caso de O Paciente Inglês) .
"Não há dúvidas de que vamos sentir no bolso essa valorização do dólar", diz Eduardo Lafon, diretor de Programação do SBT. Como existe prazo para o pagamento, Lafon vai tentar renegociar os preços com os executivos estrangeiros. A emissora deve reduzir o custo dos capítulos de "Chiquititas", hoje em torno de e US$ 35 mil. Estratégia - A Record quer manter as estréias programadas para 99. Mas a produtora JPO, que prepara a nova novela "Louca Paixão", fechou contrato antes da queda do real para produzir 132 capítulos ao preço unitário de R$ 30 mil. Nas últimas três semanas, seus fornecedores têm aumentado os preços em até 30%. "Vamos substituir o fornecedor a aumentar os preços, mas não há dúvida de que vamos sentir o prejuízo", garante a diretora de Produção, Georgia Tozzi.
Em entrevista, na inauguração da nova sede do Jornalismo da Globo em São Paulo, a superintendente da emissora, Marluce Dias da Silva revelou que a emissora manterá a programação inalterada por acreditar que a crise seja circunstancial.


