Emílio Santiago prepara-se para viajar a Lisboa. Dia 3 de julho a Som Livre, numa transação envolvendo a Mega e a Sony, lança em Portugal o disco ‘‘Paixões’’ - uma série de gravações românticas do cantor. O moço que se apresentou recentemente no programa ‘‘Noite de Gala’’, no Ópera de Arame, em Curitiba orgulha-se da geração a que pertence. ‘‘Aproveitamos bastante a riqueza da música popular brasileira. Agradeço a Deus ter começado exatamente nesse período.’’
Princípio dos anos 70. Os compositores mais disputados estavam num mesmo time onde saltitavam nomes como Chico Buarque, Edu Lobo, Caetano Veloso, Sidney Miller, Gonzaguinha, João Nogueira, Silvio Cesar, Gilberto Gil. O que falta hoje são valores como os do passado, mas como vivemos na entressafra não há porquê se desesperar. ‘‘É uma fase’’, tranquiliza Santiago.
Enquanto não aparece nada melhor, o artista resgata alguns dos muitos clássicos do passado recente. Para reforçar ainda mais essa necessidade os festejados nomes de sua época ‘‘não compõe como antigamente. Partiram para outra coisa, outro tipo de trabalho’’.
Emílio Santiago lamenta o descaso brasileiro com os ídolos. ‘‘Aqui não se tem a cultura de preservar, acariciar os nossos ídolos, aquilo que nós temos de melhor. Então as pessoas vão saindo e dando lugar a outras. Mas ainda tem uma obra maravilhosa para ser percorrida e resgatada. A gente fica na expectativa de uma nova ‘Atrás da Porta’’’, diz, referindo-se à música de Chico Buarque e Francis Hime.
Tudo isso que está na mídia não supera a saudade que o brasileiro sente de sua grande música. Um estudo sobre as preferências do público levou a gravadora a realizar a série ‘‘Aquarela Brasileira’’, a partir de 1988. Foi um tiro na mosca. Sete discos registraram as cores de nossas sonoridades, vendendo 4 milhões de unidades. ‘‘A minha proposta é sempre colocar a música brasileira no lugar que ela merece’’-conclui o cantor.

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