Emílio sai do jogo
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quarta-feira, 05 de março de 2003
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
A realidade agora é outra. Anteontem, o mergulhador londrinense Emílio Zagaia arrumou as malas e saiu do mais suspeito Big Brother Brasil para voltar ao convívio dos mortais mesmo sendo, agora, mais uma celebridade instantânea mas nacional. Tudo indicava que ele venceria o paredão com larga vantagem já que sua oponente, a advogada Viviane, até então não passava de uma figurinha despercebida, miúda dentro do jogo. Aí entrou a mão do destino e o destino tem vários tentáculos, saibam e deu no que deu para surpresa geral da nação que vem acompanhando o reality show global: Emílio foi excluído do jogo com 76 por cento dos votos. A pergunta que não quer calar: se no site do BBB, Viviane tinha até poucos dias 3 ou 4 por cento de preferência dos internautas, como pode, de uma hora para outra, conseguir vencer um dos favoritos? Sair na escola de samba deu-lhe maior visibilidade? Talvez.
''As coisas, às vezes, não são tão claras como parecem...Eu não perdi para a Viviane, perdi para o Dhomini. Tem gente que gosta dele e que me viu como um adversário direto'', comentou Emílio Zagaia em entrevista exclusiva à Folha2, por telefone, do Rio de Janeiro. Ontem pela manhã, como contou, já testou um pouco a popularidade: deu autógrafos e tirou fotografias com fãs da hora. Ele mantém contrato com a Rede Globo por seis meses. Durante esse período, a emissora tem exclusividade da imagem do mergulhador que iria se reunir ontem mesmo com a produção do Big Brother para saber o que pode e o que não pode fazer e também agendar participações em programas como Faustão e Altas Horas, por exemplo.
Ainda não está certo se ele vai ou não fazer fotos sensuais para o site paparazzi, como aconteceu com algumas beldades femininas e masculinas que participaram do programa. ''Eu sempre disse que a fama é um negócio que me deixa com medo. Eu prefiro dizer que sou um anônimo famoso'', brinca. ''Meu negócio é o mergulho, não pretendo ser apresentador, por exemplo. O que posso fazer é agregar ao meu trabalho tudo o que o programa me proporcionar sem eu precisar desviar do meu rumo'', avisou. A chegada em Londrina está prevista para terça ou quarta-feira da próxima semana. E certamente vai haver festa, um auê dos grandes em cima do agora mais famoso cidadão londrinense.
Claro, Emílio queria ir até o fim e abocanhar R$ 500 mil. Não deu. '' A honestidade é a minha marca e também foi isso que me tirou do programa'', analisa Zagaia. Se depender da sua torcida, os favoritos ao prêmio máximo são seus colegas Jean e Harry. Aliás o trio foi batizado de ''máfia da cuecas'' pelo apresentador Pedro Bial, o que Zagaia não concorda. ''É preciso estar lá dentro para entender. Não houve panela ou máfia de cuecas. Nós (ele, Jean e Harry) fomos fiéis enquanto o outro lado se movia de acordo com o vento'', disse sem especificar quem faz parte do outro lado.
Ora, ora quem acompanhou o programa sabe que o ''o outro lado'' era liderado por Sabrina e Dhomini. Em cima do muro, ficavam a baiana Elane e a advogada, Viviane. ''Saio tranquilo porque não bati nas costas de ninguém para ficar no programa'', disse ele em tom enigmático. Isso é verdade. O único que teria costas e quentes seria o assessor parlamentar Dhomini. Não à toa, um grupo de telespectadores do Rio estaria entrando com uma ação contra a Rede Globo alegando que o jogo estaria sendo manipulado em favor de Dhomini.
Emílio não quis comentar tais assuntos. ''O que posso dizer é que Dhomini é um ótimo jogador'', disse. E ponto final. Sobre a participação, elogios e auto-crítica. ''Valeu a pena para eu aprender a não fazer nada na vida que me tranque. Aprendi também a ter mais auto-controle'', disse.
PONTO DE VISTA
Manipulated reality show?
Saída de Emílio Zagaia do Big Brother Brasil deixa mais dúvidas no ar
Ok, o fato de ter sido escolhida para desfilar na Beija Flor, escola de samba carioca, deu à vendedora de cosmético, ops, à advogada Viviane uma boa visibilidade. Mas seria tanto assim ao ponto de o Brasil inteiro, na maior ressaca carnavalesca, perceber, assim de estalo, que dentro da casa havia a presença daquela moça bela, de fato, mas aparentemente fútil? Antes do desfile, traços de popularidade na internet. Depois do desfile, dígitos duplos? Até pode acontecer. O londrinense Emílio Zagaia disputava a segunda colocação com a ''pocahontas'' Sabrina e, de repente, sai do jogo com uma votação que deveria, pela lógica, ser favorável a ele e não a Viviane. Alguma coisa está fora da ordem.
Talvez o buraco seja mais embaixo. Ou bem lá em cima. Mistério, seu nome é Dhomini. Carismático e bom jogador, sejamos justos. Mas como explicar que o assessor parlamentar do deputado goiano Barbosa Neto (PMDB) tenha disparado na preferência dos internautas, deixando para trás seus adversários. É preciso muita torcida e dedos para fazer disparar o gráfico de popularidade, não concordam? Entre no site e acompanhem a evolução: www.globo.com/bbb
Perguntas e mais perguntas pairam no ar. Por que todas a vezes que o ''anjo'' Dhomini foi para o paredão a audiência alavancou tremendamente? Não seria vontade de os telespectadores se virem livres dele? Aí, vem aquele monte de ligações, que a Globo computa como audiência, e o rapaz fica. Engraçado, né?
Uma possível explicação: um bom esquema de telemarketing, coisa de gente grande, estaria acudindo o assessor do nobre deputado quando em perigo. A Globo agradece pela ''audiência'', os patrocinadores ficam com o ego inflado e os diretores das companhias telefônicas vão dormir sorrindo com o lucro advindo do custos de ligação. Então, por que a Rede Globo daria ouvidos a denúncias, críticas e possíveis ações se todos lucram?
Anteontem, na prova de eliminação de Emílio e Viviane, o apresentador Pedro Bial perguntou a Dhomini quem ele gostaria que ficasse na maratona. ''Pela convivência o Emílio, mas pelo jogo, a Viviane'', respondeu o assessor. Mensagem cifrada? Coincidência ou não, Viviane disparou na preferência. Estão de parabéns os funcionários dessa que seria uma competente empresa de telemarketing cujos funcionários não descansam nem no carnaval para alívio de Dhomini. Quem banca? Ora ninguém, afinal o Big Brother Brasil é um jogo correto em que o telespectador é quem decide o vencedor, sem maiores manipulações, não é mesmo? Faz-me rir!
Tem mais: anteontem, a meiga Viviane perguntou quantos milhões de ligações haviam sido feitas. Bial, meio constrangido, disse que em torno de três milhões, dentro do que se esperava em plena terça-feira de carnaval. Seria o mesmo percentual se Dhomini estivesse no paredão? Quem, além do próprio e algumas BOAS pessoas, amigas do peito e das costas, quer a permanência dele no programa?
Refresquemos a memória. Na prova do feijão, o anjo seria escolhido através do estado que mais contribuisse com a quantidade do produto. Quem ganhou? Dhomini. Detalhe: quantidade incrível de feijão foi doada em Goiás por uma alma caridosa e nobre que não se identificou. E quem não se lembra do próprio Dhomini falando, algumas vezes, que tinha ''costas quentes'' durante o programa. E que costas, hein?
Em suma, por que Dhomini é o favorito? Vamos fazer de conta que é porque tem bastantão de gente que gosta tanto, mas tanto dele que não gostaria de vê-lo saindo do programa, depois de quase quatro meses de afastamento do trabalho, sem os R$ 500 mil. Se puxarmos o fio da meada a gente consegue entender os bastidores do jogo? Se a Globo deixar, sim. E se Dhomini sair, aí o ''manipulated reality show'' termina e, embora tarde, começa o reality show. Com os participantes concorrendo em pé de igualdade. Sem injustiças, trocando em miúdos.


