Os internautas principalmente os londrinenses devem estar com os dedos na salmoura. Mas tamanho empenho diante do computador valeu a pena: Emílio, o representante da terrinha, continua no Big Brother Brasil 3 para tristeza de seu oponente, o fotógrafo paulistano Paulo, eliminado do reality show global, anteontem, por 55 por cento dos telespectadores. Do paredão se livrou também a estudante carioca Juliana, graças aos 79 por cento dos votos contrários à permanência da bocuda e presunçosa personal trainer, Samantha. Não houve foguetório, mas muita gente se reuniu em bares e clubes de Londrina para acompanhar de perto e torcer, obviamente para que Emílio, ou Zagaia, mantivesse Londrina em evidência e, consequentemente, desse mais uma camada de verniz no bairrismo nosso de cada dia.
É fato que Emílio está bem na foto no site do BBB3, até ontem à tarde, ele tinha 11 por cento de preferência do público. É o terceiro colocado no ranking dos meigos, ficando atrás da professora baiana Elane e do assessor parlamentar Dhomini (ambos com 12 por cento). A preferida é a espevitada bailarina Sabrina, a mesticinha que faz a linha ''sei que eu sou bonita e gostosa''. E o duro que é!! Já Zagaia é forte candidato a ser o mais novo ''bonito e gostosão'' do Brasil, por conta do conjunto da obra física aliada àquele jeitinho de quem rega plantas com conta gotas.
Cá pra nós, dois fatores podem ser apontados para justificar a permanência de Emílio na suntuosa casa. Primeiro: ter sido indicado ao paredão lhe deu visibilidade, já que até então ele zanzava para lá e para cá. Segundo: o famoso banho de nu atiçou a imaginação do mulherio. Depois do susto de ter sido quase excluído, é capaz que o dito cujo coloque um pouco mais de tempero e comece a colocar as asinhas de fora já deu a entender que a Sabrina atiça-lhe os hormônios. Tem que dar certo! Melhor explicando, Emílio precisa marcar mais presença naquele mafuá de gente bonita com cérebro de tico-tico.
Tudo bem, ainda é cedo para previsões. No entanto, é visível a saturação da fórmula do Big Brother Brasil. Se o primeiro programa foi novidade, o segundo rendeu bons frutos (audiência, leia-se), o terceiro parece descambar para o tédio, mesmo que a Globo faça edições apelativas em que bundas e sungas ganhem generosos closes ou promova romances esquisitões como o motoqueiro e lutador de vale-tudo, Nilson, a besta humana, com a Joseane, a miss Brasil de beleza questionável.
Se há excesso de boniteza, há falta de originalidade dos participantes. Dificilmente esse terceiro Big Brother vai produzir celebridades instantâneas carismáticas como André Gabeh, do primeiro programa, ou a inesquecível Cida, a louca mais engraçada e inteligente do Big Brother 2. É bem possível também que a Globo, quando perceber que a casa está se transformando num refúgio de almas penadas, utilize um expediente que esquentou o clima nas edições anteriores: a ''marvada'' pinga. Ora, ora, nos dois programas quando pintava cerveja as línguas destravavam, o climão sensual faiscava e as panelinhas começavam a ferver.
Por enquanto, o BBB3 mais parece uma colônia de férias de jovens saudáveis que, vira e mexe, choram de saudade da família, do namorado, da namorada, do vizinho, do cachorro, ou, se duvidar, até pelo aumento do preço do mamão papaia. Vai entender: se sabiam que iriam ficar confinados, se conheciam as regras do jogo, por que alguns participantes ainda vertem cântaros de lágrimas? Se bem que choro sempre comove o público...
Agora, justiça seja feita: os comentários dos participantes são atrações à parte. Neste ponto, o DJ catarinense Marcelo é um mestre. Dia desses ele tentou, tentou, tentou, tentou e tentou e não conseguiu explicar o que representava o jogo. ''É assim, tipo meu, assim, enfim, tá ligado, assim meio que você esteja a fim e não esteja a fim mas no final sempre fica alguém assim''. Pode não ter sido assim, tá ligado, mas foi mais ou menos assim a explicação do menino.
A Globo, claro, já começa a procurar alguém com quem o público estabeleça empatia se não tiver, nada que a edição não passe uma imagem boa do escolhido. E pelo andar da carruagem, o assessor parlamentar Dhomini, que acredita em discos voadores, é o ungido de Pedro Bial, o apresentador. Com aquele jeitinho de franciscano transviado, o mineiro radicado em Goiás convence a todos de suas boas intenções. E o que é melhor: é humildezinho e fala porrrrta, barrrrco, cerrrto, nóis, enfim tudo o que o povão gosta. Assim foi com o Kleber Bambam e com o caubói Rodrigo e a tradição deve ser mantida com Dhomini, esse amor de pessoinha. Na luta por R$ 500 mil meiguice e pieguice não passam de uma rima pobre, muito pobre.

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