EMI relança álbum de McCartney
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sábado, 15 de maio de 1999
Marcos Filippi Agência Estado 
Um dos principais trabalhos da carreira-solo de Paul McCartney faz 25 anos. Band on the Run, lançado oficialmente no fim de 1973, mas descoberto somente um ano depois, foi relançado pela gravadora EMI no início do mês, nos Estados Unidos.
Trata-se de uma edição especial e limitada: além do álbum original, a nova versão traz um CD com depoimentos das pessoas que trabalharam na produção, ensaios, passagens de som, takes ao vivo e demos do repertório do disco original.
O álbum duplo não será lançado no Brasil. Mas está disponível em algumas lojas do centro de São Paulo, Jardins e na loja Blackbird, especializada em Beatles, sede do fã-clube Revolution, que está lançando o CD-ROM 26 Complete LPs, contendo todos os álbuns oficiais da banda inglesa.
Este trabalho contém as letras de todas as músicas dos Beatles e registra álbuns que nunca foram editados em CD, como Beatles Ballads, Rock and Roll Music, Love Songs, Hey Jude e outras coletâneas.
Os lançamentos coincidem com a recente entrada de Paul no badalado Rock and Roll Hall of Fame, em Nova York, no mês passado. O ex-Beatle compareceu à cerimônia acompanhado de sua filha Stella e fez uma homenagem à esposa Linda, morta no ano passado. Queria muito que meu amor estivesse aqui compartilhando comigo este momento.
Paul disse que seus colegas George Harrison e Ringo Starr também mereciam entrar no Rock and Roll Hall of Fame. Os Beatles fazem parte deste seleto grupo desde 1988 e John Lennon desde 1994.
Band on the Run, ao lado de Flaming Pie, é considerado um dos melhores trabalhos-solo de Paul McCartney. A prestigiada revista Rolling Stone elegeu o álbum como o melhor de 1974. O disco, que foi gravado na Nigéria, quase deixou de ser lançado. Poucos dias antes de Paul e sua banda de apoio Wings viajarem para a África, dois integrantes do conjunto resolveram desistir do projeto.
Paul não se intimidou. Além dos vocais, tocou guitarra e bateria. Aliás, esta não foi a primeira vez que o ex-Beatle demonstrou sua habilidade como baterista. Tocou este instrumento no disco Back in USSR, dos Beatles, e também em um single lançado pelo vocalista do grupo Manfred Mann, Paul Jones.
A edição comemorativa de Band on the Run traz, além de todas as músicas do álbum original remasterizadas, uma faixa extra: Helen Wheels, que havia sido lançada só na versão norte-americana do disco. A canção apareceu nos demais países apenas em single. Como o disco é muito conhecido pelos fãs, o que mais chama a atenção é o segundo álbum desta edição especial. Nele estão os ensaios, as versões ao vivo, como Bluebird, gravada em 1975, na Austrália, além de passagens de som (a mais interessante neste CD é a canção Jet, realizada em 1993, em Berlim).
Porém, o maior presente para os fãs são os depoimentos de fotógrafos, produtores, engenheiros de som e outras pessoas que contribuíram para a gravação do CD incluindo, evidentemente, palavras do próprio Paul. Muitas declarações foram colhidas recentemente para comemorar os 25 anos do lançamento do CD. Uma das poucas exceções é o pronunciamento de Linda McCartney.
Um dos depoimentos mais interessantes é o do ator Dustin Hoffman. Apesar de não ter tido ligação direta com a produção de Band on the Run, o ator foi peça fundamental para a composição da música Picassos Last Words.
Paul estava de férias e se hospedou no mesmo hotel onde Hoffman filmava, ao lado de Steve McQueen, o premiado Papillon. Durante um jantar, o ator perguntou a Paul como era o processo de criação de uma música. O ex-Beatle explicou que as canções surgiam a partir de um tema e qualquer assunto poderia ser transformado em uma música.
Hoffman pegou uma revista Time, que trazia uma reportagem sobre a morte do pintor Pablo Picasso, e mostrou-a ao ex-Beatle. Paul tomou como base as frases Drink to me, drink to my helth. You know I cant drink anymore (Bebam por mim, bebam pela minha saúde: vocês sabem que eu não posso beber mais), que teriam sido as últimas palavras ditas pelo pintor, durante um jantar que ofereceu a alguns amigos um dia antes de morrer.
Paul começou a fazer a melodia da música com base nestas frases, conta Hoffman em seu depoimento. O mais incrível é que um dia depois Paul estava com a canção completamente pronta.


