EMI lança 'That's What I Call Sweet Music'com 24 canções escolhidas na coleção de Crumb
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EMI lança 'That's What I Call Sweet Music'com 24 canções escolhidas na coleção de Crumb8/Mar, 14:51 Por Jotabê Medeiros São Paulo, 08 (AE) - A série "Songbook", da EMI Records, lançou uma idéia bastante festejada no meio musical: a de fazer compilações musicais com os discos preferidos de alguns artistas, como o escritor Hunter S. Thompson. Mas o seu mais recente lançamento é um escândalo de bom: trata-se de "That's What I Call Sweet Music", que reúne gravações da coleção de discos de 78 RPM do cartunista americano Robert Crumb, o sumo pontífice do quadrinho underground. Ainda bem que Crumb tocou essa música suave, diria Roberto Carlos. Robert Crumb, desde os 15 anos, é um fanático colecionador de discos de orquestras americanas dos anos 20 e 30. Em "That's What I Call Sweet Music" ele selecionou 24 das melhores faixas dessa coleção e ilustrou todo o CD e o encarte. É um luxo (disponível, por enquanto, apenas na Amazon.com). A compilação de Crumb traz orquestras, big bands e maestros esquecidos pela história, como Paul Sprecht, Rudy Valle e a Red Nichols's Stompers. Interessante notar que o material de Crumb revisita somente os três últimos anos da década de 20, os mais férteis do período, intercalando orquestras e canções famosas e desconhecidas. Também desconhecidos são boa parte daqueles cantores. Como os que acompanham Paul Specht na faixa-título ou o trio que embala Doc Cook and His 14 Doctors of Syncopation na faixa "Hum and Strum" (gravada em Chicago, em março de 1928). Canções famosas, como "Singin' in The Rain" (aqui aparece gravada pela orquestra de Gus Arnheim), parecem emergir de algum túnel do tempo e ganhar uma dramaticidade de cinema mudo. Rudy Vallee, em sua autobiografia escrita em 1930, "Vagabond Dreams Come True", disse acreditar que não era a música "quente" da época, consumida por jovens com alguns drinques a mais, que lhe interessava. A música doce e macia que Valle procurava - assim como todos os artistas reunidos nessa seleção - não tinha sua força no volume em que era tocada, mas na sutileza. "Eu conheci um dance hall onde o clarinetista era proibido pelo fato de que sua presença parecia demonstrar um efeito dançante degenerado para um certo tipo de jovem", escreveu Vallee. "Especialmente quando ele tocava numa abordagem de brilho oriental, contra as tradicionais batidas de tum-tum", afirmou. Era uma queda-de-braço. Nos anos 20, todo mundo saía para dançar fora nos clubes. Foi o auge da música ao vivo, que começou já na virada do século com o ragtime e alguns crêem que acabou com a chegada do rock-n'-roll, após a 2.ª Guerra. Mas aquelas polêmicas entre o novo e o velho que se anunciavam nos anos 20 não têm mais sentido hoje em dia, mas é uma delícia ouvir as trilhas sincopadamente preguiçosas que embalaram as primeiras comédias de Stan Laurel e Oliver Hardy e Little Rascals. Principalmente se é possível ouvi-las apreciando a fachada do Savoy Ballroom anunciando a "famosa orquestra de Erskine Tate". Mulheres não pagavam, vejam vocês...