Embrulho requintado
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de junho de 1997
Ana Cristina Ioselli TV Press 
Em última análise, as aberturas das novelas televisivas têm um só objetivo: impingir goela abaixo do telespectador mais alguma trama repetitiva que tem como tema central um triângulo amoroso arrastado por, no mínimo, oito meses no ar. Mas, assim como na publicidade, as aberturas têm de vender o produto da melhor maneira possível. E, já que as tramas estão cada vez menos criativas, elas ganharam uma importância ímpar.
As aberturas devem ser como chamadas de filme, em que só se mostram as boas cenas, diz, sem meias palavras, o diretor de animação Takeshi Sakaguti.
Com 22 anos de experiência como designer gráfico da Globo e 120 aberturas de novelas no currículo, sem falar nas aberturas de programas esportivos, humorísticos e jornalísticos, Hans Donner virou uma referência. Quase todos os profissionais que trabalham nas emissoras concorrentes já trabalharam com ele e reconhecem sua importância. Mas não poupam alfinetadas no ex-colega.
O alvo principal das críticas em torno do trabalho de Hans Donner é o uso indiscriminado de computação gráfica na abertura dos programas. A Globo persiste nesta linha, mas as outras televisões não devem ficar presas a esta estética, pondera o diretor Adolfo Rosenthal, criador da elogiada abertura quase artesanal de Xica da Silva, da Manchete, orçada em R$ 60 mil.
Ricardo Nauemberg, que assina a abertura de Dona Anja, do SBT, vai mais longe. Ele diz que um dos motivos que o fez sair da equipe de Hans Donner foi discordar da linha de trabalho do mago dos efeitos especiais da Globo. Queria trilhar outros caminhos visuais, esclarece Nauemberg. Ele
afirma preferir a programação visual da MTV.
Atento a todas as críticas por parte da imprensa, do público e dos colegas, Hans Donner sai em defesa própria. Noventa milhões de pessoas exigem que cada abertura supere a anterior. E se não pinta uma coisa nova, todo mundo cai de pau, lamuria-se.


