ReproduçãoGarbage: integrantes ficaram 1 ano trancados no estúdio para burilar o discoEmbalagem
eletrônica
Banda lança segundo álbum amaciando guitarras
sob camadas de sons computadorizados
Garbage nasceu numa data emblemática: 8 de abril de 1994, o dia do suicídio de Kurt Cobain, símbolo máximo do rock ‘‘alternativo’’. Estourou mundialmente vendendo 4 milhões de cópias de seu disco de estréia. Shirley Manson, a vocalista escocesa, virou sex symbol da noite para o dia.
Passado o período de badalação, a banda testa sua reputação com o lançamento do segundo álbum Version 2.0(BMG). O disco é implacavelmente pop, recheado de beats computadorizados e vocais suaves e levemente distorcidos capazes de provocar enjôo no rebanho de fiéis da trinca guitarra-baixo-bateria.
ReproduçãoVersion 2.0: boas melodias e batidas sequenciadas
A banda capricha nas melodias, mas parece exagerar no acabamento em estúdio, onde se trancou durante quase um ano para parir o disco. Os traços de agressividade, que pipocam aqui ou ali, são diluídos pela embalagem eletrônica dos arranjos. A abordagem remete ao tecno pop da década de 80. Um susto para aqueles que já viram a assinatura de Butch Vig como produtor nos créditos de álbuns que marcaram o rock alternativo da década como Nevermind do Nirvana, Simaese Dream do Smashing Pumpkins e Dirty do Sonic Youth.
No Garbage, Vig cuida da bateria, loops, efeitos e ruídos. É Shirley Manson, entretanto, quem ganha capas e pôsteres de revistas flagrada em fotos de minissaia e sem calcinha. Mas ao ouvi-la interpretar as baladas ‘‘Special’’ (esta com uma citação dos Pretenders) e ‘‘You Look so Fine’’, onde ela mostra todo o seu poder de fogo, dá até para se distanciar de apelos inconfessáveis.
(N.S.)

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