CARNAVAL ‘‘Embaixadores’’ prepara a sua festa Mais de 40 pessoas trabalham arduamente para que a escola de samba curitibana faça bonito na avenida Kraw PenasO trabalho na confecção de fantasias da Embaixadores da Alegria começa as sete da manhã e vai até a madrugada Zeca Corrêa Leite De Curitiba O Carnaval está aí, virando a esquina e não poderia ser diferente: na Escola de Samba Embaixadores da Alegria os retoques das centenas de fantasias, os detalhes finais dos quatro carros alegóricos e dois tripés (veículos menores que levam os destaques) consomem a maior parte do tempo. Das sete da manhã até o começo da madrugada o pessoal está trabalhando sem folga, todos os dias. A presidente da escola, Suzi D’Ávila, confessa: ‘‘Não dá tempo de respirar.’’ Ela garante que os preparativos ‘‘começaram cedo’’, mas é inevitável que às vésperas de pisar na avenida aconteça a correria. Mais de 40 pessoas dão plantão diário, movidas pela paixão. Estão ali como voluntárias, com a única finalidade de contribuir para que a escola faça bonito. Até agora foram gastos mais de R$ 40 mil com o desfile, com os pagamentos feitos à vista. ‘‘Não queremos deixar nada para trás, nenhuma dívida pendente’’, continua Suzi. O enredo defendido pela escola será ‘‘Brasil, Amanhã Paz e União’’, do compositor Marquinho da Embaixadores, e insere-se nos 500 anos do País. Ele aborda o preconceito da sociedade contra as minorias, apesar dos cinco séculos de história. Os povos representados são os índios, negros e ciganos que em meados do ano de 1500 constituíram ‘‘as primeiras matrizes deste povo chamado brasileiro’’, segundo tese do procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia. Neste Carnaval, especialmente, a Embaixadores quer brilhar: o espetáculo será dedicado a Delcy e Edson D’Ávila, respectivamente ex-presidente e ex-tesoureiro, que durante muito tempo dedicaram parte de sua vida à agremiação. Eles faleceram em dezembro do ano passado: Edson no dia 13; Delcy no dia 25. ‘‘Não é a família D’Ávila que está órfã, é toda a escola’’, diz Suzi, estendendo a dor dos quatro filhos do casal aos cerca de 600 carnavalescos. ‘‘A família Embaixadores da Alegria está muito sensibilizada, e para nós o mais difícil vai ser a saída. Será uma prova de fogo: todo mundo está emocionado, de luto.’’ Porém, na opinião da presidente, o casal será lembrado na avenida com a pujança dos foliões: ‘‘A maior homenagem que podíamos fazer é esta: a escola continuar sendo escola.’’