O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães é um dos convidados do Filo para o Fórum ‘‘O Lugar Público da Cultura’’. Na quarta-feira ele, que também é professor da Escola de Políticas Públicas e Governo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fez em Londrina a conferência ‘‘Hegemonia Cultural’’.
Na ocasião, ele criticou a política cultural brasileira dizendo que ‘‘a produção de carros estrangeiros no Brasil é mais protegida pelo governo que o cinema nacional’’.
Guimarães também abordou a diversidade cultural e a vulnerabilidade econômica, mostrando-se receoso com a implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). ‘‘Com a Alca, as grandes produtoras norte-americanas vão concorrer com as produtoras aqui do Paranᒒ compara. ‘‘Sem qualquer tipo de empecilho ou restrição’’, diz. Ele ressalta que é preciso criar mecanismos para valorizar e difundir os valores brasileiros.
O embaixador lembra que com a Alca, o governo brasileiro não terá condições de dar o apoio necessário às produções nacionais. ‘‘O Estado tem que estimular a atividade econômica para dar um mínimo de condição aos 52 milhões de brasileiros que estão abaixo da linha de pobreza e os 22 milhões de indigentes’’.
Guimarães diz que são as manifestações culturais que dão identidade a um povo. ‘‘Elas formam a noção de mundo. Transmitem a maior parte das experiências humanas’’, analisa. ‘‘As visões de mundo, os valores sociais, as crenças políticas e ideológicas variam de um país para outro’’.
Ele faz questão de frisar que preservar a cultura nacional não é ser xenófobo. ‘‘Só não acredito que culturas estrangeiras devam ser mais valorizadas que a nossa’’, enfatiza.
O embaixador mostra-se preocupado com a ideologia dominante imposta pelos Estados Unidos. ‘‘O custo de produção do filme ‘Homem-Aranha’, foi maior que os custos de todos os filmes produzidos no Brasil no último ano’’, dispara. Embora considere a situação preocupante, Guimarães vê o futuro com otimismo. Ele defende a criação de mecanismos para a promoção da nossa diversidade cultural. ‘‘Se um cinema exibe apenas 20% de filmes nacionais, nenhuma outra produção de país estrangeiro pode ultrapassar este percentual’’, exemplifica. Além disso, o embaixador lembra do nosso potencial criativo. ‘‘A nossa produção audiovisual é poderosa. Somos capazes de produzir filmes e telenovelas de grande aceitação mundial. Só faltam recursos’’, afirma.

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