Embaixador defende a política pública de cultura
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quinta-feira, 23 de maio de 2002
Reportagem Local 
O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães é um dos convidados do Filo para o Fórum O Lugar Público da Cultura. Na quarta-feira ele, que também é professor da Escola de Políticas Públicas e Governo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fez em Londrina a conferência Hegemonia Cultural.
Na ocasião, ele criticou a política cultural brasileira dizendo que a produção de carros estrangeiros no Brasil é mais protegida pelo governo que o cinema nacional.
Guimarães também abordou a diversidade cultural e a vulnerabilidade econômica, mostrando-se receoso com a implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Com a Alca, as grandes produtoras norte-americanas vão concorrer com as produtoras aqui do Paraná compara. Sem qualquer tipo de empecilho ou restrição, diz. Ele ressalta que é preciso criar mecanismos para valorizar e difundir os valores brasileiros.
O embaixador lembra que com a Alca, o governo brasileiro não terá condições de dar o apoio necessário às produções nacionais. O Estado tem que estimular a atividade econômica para dar um mínimo de condição aos 52 milhões de brasileiros que estão abaixo da linha de pobreza e os 22 milhões de indigentes.
Guimarães diz que são as manifestações culturais que dão identidade a um povo. Elas formam a noção de mundo. Transmitem a maior parte das experiências humanas, analisa. As visões de mundo, os valores sociais, as crenças políticas e ideológicas variam de um país para outro.
Ele faz questão de frisar que preservar a cultura nacional não é ser xenófobo. Só não acredito que culturas estrangeiras devam ser mais valorizadas que a nossa, enfatiza.
O embaixador mostra-se preocupado com a ideologia dominante imposta pelos Estados Unidos. O custo de produção do filme Homem-Aranha, foi maior que os custos de todos os filmes produzidos no Brasil no último ano, dispara. Embora considere a situação preocupante, Guimarães vê o futuro com otimismo. Ele defende a criação de mecanismos para a promoção da nossa diversidade cultural. Se um cinema exibe apenas 20% de filmes nacionais, nenhuma outra produção de país estrangeiro pode ultrapassar este percentual, exemplifica. Além disso, o embaixador lembra do nosso potencial criativo. A nossa produção audiovisual é poderosa. Somos capazes de produzir filmes e telenovelas de grande aceitação mundial. Só faltam recursos, afirma.


