Embaixada diz ''lamentar o incidente''
São Paulo - Procurada pela reportagem, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília divulgou uma carta sobre o caso da cardiologista Márcia Barbosa. Segundo o texto, apesar de não poder comentar detalhes, a embaixada ''lamenta profundamente o incidente e a inconveniência causada à dra. Barbosa'' e informa que o Departamento de Segurança Nacional já foi notificado sobre o ocorrido no aeroporto de Dallas.
''Quem viaja entre os Estados Unidos e o Brasil deve portar o visto adequado ao tipo de visita'', ressalta o documento, assinado pelo encarregado de negócios, Richard Virden. ''Desde os ataques terroristas de 11 de setembro, nos EUA, inspetores nos portos de entrada do país têm sido mais minuciosos no sentido de assegurar que o viajante tenha em seu passaporte o visto correto, aquele que corresponda ao real propósito de sua visita.''
Muitos brasileiros que deveriam usar o visto de negócios, segundo a carta, acabam tirando o de turismo só para economizar a taxa adicional, de US$ 60. Com isso, correm o risco de serem barrados na imigração.
Os viajantes impedidos de entrar no país, segundo a embaixada, ''são geralmente mantidos sob custódia até que o vôo seguinte os leve de volta''. ''Embora as acomodações sejam espartanas, as pessoas sob custódia têm geralmente permissão para dar telefonemas e têm acesso a comida, água e outras necessidades básicas.''
A fiscalização nos aeroportos, portos e consulados americanos ficará mais rigorosa a partir de janeiro, quando serão exigidas impressões digitais de todos os viajantes, tanto para obtenção de vistos quanto para entrada no país. As digitais serão verificadas por equipamento eletrônico, que não usa tinta. ''Não será como numa delegacia'', disse o cônsul-geral da Embaixada Americana em Brasília, Peter Kaestner. A intenção, de acordo com ele, é combater a falsificação de documentos.
Kaestner nega que a obtenção de vistos tenha ficado mais difícil nos últimos anos. Segundo ele, a taxa de recusa foi menor este ano do que em 2002. ''Proporcionalmente, mais pessoas receberam o visto'', disse o cônsul-geral, sem citar números. ''A maioria dos solicitantes consegue.''
Em cerca de 95% dos casos de recusa do visto, o principal motivo, segundo o cônsul, é a falta de vínculos no Brasil. ''Segundo a lei americana, todas as pessoas que solicitam visto de não-imigrante têm de provar que têm residência no Brasil e não têm intenção de abandonar o país'', afirmou Kaestner.
Apesar da queda no turismo brasileiro para os EUA, as medidas são consideradas necessárias para garantir a segurança do país. ''Todos os visitantes são bem-vindos, mas é importante seguir as regras'', disse o cônsul.





