Em Xangai, visite o bazar e o museu
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segunda-feira, 15 de janeiro de 2001
Betty Miller Agência Estado 
Xangai tanto me faz pensar em Nova York quanto em São Paulo. Por se tratar de um gueto vertical, onde os edifícios mais suntuosos cotejam outros inteiramente decadentes. O que difere é o cartaz publicitário. Pela escrita ideogramática e pelo tamanho gigante do texto.
Sei da importância da escrita na China, sei que os chineses usam o mesmo termo, wen, para ela e para a civilização, porém fico alegremente surpresa. Estou em um país onde o valor da imagem não superou o do texto, que é sagrado. O imperialismo americano não tomou conta de tudo e a verdadeira muralha da China é a escrita.
Uma hora e o táxi está no Bund, o cais à beira do Huangpu, o verdadeiro símbolo de Xangai. Também o Bund, pela arquitetura neoclássica dos anos 30, lembra Nova York e eu logo reconheço o Peace Hotel onde vou ficar.
Trata-se de um hotel no estilo do Copacabana Palace, construído pelo multimiliardário Victor Sassoon, que enriqueceu com o comércio do ópio e reinvestiu todo o dinheiro em cavalos e no setor imobiliário de Xangai. Tem no topo uma pirâmide, onde há um restaurante com a melhor vista para a cidade.
Tudo no Peace lembra um luxo antigo, o recepcionista que está de smoking preto e flor vermelha na lapela, o saguão de mármore, os lustres art déco.
Os pontos turísticos que pretendo visitar são o Bazar Yuyuan e o Museu de Xangai. Começo pelo Bazar, porque já é hora do almoço e, segundo o guia, trata-se de um lugar ideal para almoçar.
Sucessão de pagodes onde todo o artesanato que se produz na China está à venda, ele é o império extravagante e multicolorido do kitsch. Como nestas lojas, não sinto vontade de comprar nada, olho rapidamente o Bazar e procuro o Lubolang, restaurante indicado pelo recepcionista do Peace Hotel. Trata-se de um restaurante imenso, decorado com os motivos tradicionais. Parece o Silver Palace, na Bowery Street, em Nova York.
Peço frango e uma sobremesa. Para beber, chá de jasmim. O chá, infelizmente, tem um gosto esquisito. De terra. O bolinho a vapor é grande demais e eu não tenho como abocanhar e engolir à maneira dos chineses. O frango no limão, além de frito, é açucarado. Um atentado à minha alimentação light. Quanto à sobremesa, foi servida junto com a entrada e eu, não tendo entendido que o doce na China não vem no fim, simplesmente reenviei.
No jardim do Bazar, eu me esqueço do almoço. Feito no século 16, durante a dinastia Ming, foi bombardeado durante a guerra do ópio no século 19, mas hoje está inteiramente restaurado. Trata-se de um labirinto onde, não sabendo da entrada e da saída.


