Ao contrário do que prega o ditado popular, em uma viagem para surfar, três não é demais. Como as condições do mar podem variar de um dia para o outro, é preciso levar na bagagem pelo menos uma prancha para ondas pequenas, uma para médias e outra para grandes. ''Em praias onde as pranchas quebram constantemente por causa da força das ondas, é melhor levar uma pequena de reserva'', aconselha a tricampeã Andréa Lopes, de 32 anos.
Leve também duas roupas de borracha para poder aproveitar mesmo com a água fria. ''A segunda roupa serve para usar quando a primeira ainda estiver molhada'', explica Picuruta Salazar, de 45 anos - 37 deles surfando -, que não dispensa um bloqueador solar com fator de proteção entre 30 e 50.
Um item indispensável na hora de surfar em localidades desconhecidas é o respeito. Surfistas são muito apegados às praias onde costumam surfar, e os chamados ''locais'' não toleram quem invade o seu espaço sem o devido cuidado. Um novato precisa levar isso em consideração se pretende surfar com tranquilidade.
A filosofia da tricampeã brasileira Andréa Lopes é segurar a ansiedade e esperar a vez. ''Quem está melhor posicionado para uma onda tem a preferência'', diz. Para o diretor regional da Association of Surfing Professionals - South America, Roberto Perdigão, de 51 anos, 36 dos quais como surfista, isso significa se contentar com ondas piores até conquistar a simpatia de quem surfa no local habitualmente. ''É como se você estivesse na casa de alguém; é preciso ter educação'', diz.
E, ao ganhar a confiança dos ''locais'', eles podem até revelar os melhores pontos de surfe da região, segredos muitas vezes guardados a sete chaves.
Contrariar essas regras irá render inimizades na certa, e o surfista pode ainda ser expulso do mar por tempo indeterminado. ''Quando você voltar, no dia seguinte, vão lembrar de você; por isso, o contato amistoso, dentro e fora d'água, é fundamental.'' (R.B./AE)

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