Viva o Povo Brasileiro! É exatamente assim, com este tema e exaltando a formação multiétnica do País, que Salvador pretende arrastar multidões pelas ruas da cidade durante o carnaval. Cada região do Brasil será representada por seus movimentos culturais, como os bois-bumbás de Parintins (Amazonas), o maracatu de Olinda (Pernambuco), o samba das agremiações do Rio e de São Paulo... Este ano, a expectativa da Bahiatursa órgão oficial de turismo do Estado é receber mais de 410 mil turistas na capital, vindos de outros Estados, somando 900 mil pessoas em visita à Bahia.
Os foliões vão acompanhar o batuque do Olodum, as mensagens de paz dos Filhos de Gandhy, a animação do concorrido Chiclete com Banana e a folia dos homens que se vestem de mulher no bloco As Muquiranas. São cerca de cem trios elétricos que partem do Corredor da Vitória, levando os foliões pela Avenida Sete de Setembro em direção ao Hotel da Bahia, no Campo Grande. Aqueles que torcem o nariz para o axé não precisam se preocupar. Rock, pagode, reggae e MPB também fazem parte do repertório da folia.
No Pelourinho, o coração pulsa mais rápido, entrando no ritmo dos atabaques, timbaus e repeniques. Ali fica a sede da maioria dos blocos afros, como o Olodum, a cultura negra do Ilê Ayiê e o afoxé dos Filhos de Gandhy. Pelas ruas, sons da cultura africana se propagam. Emocionam marinheiros de primeira e de muitas viagens à capital baiana.
O mais antigo dos circuitos do carnaval de Salvador é uma homenagem a um dos criadores do trio elétrico, nos anos 50, Osmar Alvares Macêdo (parceiro de Adolfo Nascimento, o Dodô). É no Circuito Osmar que desfilam os blocos mais tradicionais, como Camaleão (com abadás já esgotados), Ilê Ayiê, As Muquiranas, Ara Ketu e Olodum.
Quem não tem o pique dos pipocas (aqueles foliões que correm atrás dos enormes caminhões de som), pode acompanhar a festa a partir dos camarotes. Com o crescimento do carnaval baiano, outro circuito foi criado na década de 80. É o Circuito Dodô, que abrange uma das áreas mais bonitas da orla, saindo do Farol da Barra em direção ao bairro de Ondina. São quatro quilômetros de pura alegria, por onde passa um dos blocos mais aguardados, o Filhos de Gandhy, cujos participantes formam um tapete branco com suas roupas e turbantes brancos.
Outros que cruzam o caminho são os blocos de Ivete Sangalo, Margareth Menezes, Expresso 2222, Carlinhos Brown, É o Tchan, Harmonia do Samba, Timbalada e até Arnaldo Antunes. Para completar, há também o Circuito Batatinha, que conserva o clima dos antigos carnavais, em pleno Centro Histórico, com direito a uma programação mais eclética.
O tradicional bloco Expresso 2222, comandado até aqui pelo ministro Gilberto Gil, este ano será ''regido'' por Daniela Mercury, no Circuito Dodô. A cantora pilotará sozinha o trio por três dias e dividirá outros dois com Preta Gil e a banda carioca Afro Reggae, que terá como convidados Gabriel, O Pensador e DJ Marlboro.
Todos os dias, os blocos se apresentam no palco montado na Castro Alves Guetho Square, antigo Candeal Guetho Square, bem em frente à estátua de Castro Alves, na praça que leva seu nome. Ainda não está confirmado, mas faz parte dos planos do cantor Paulinho Boca realizar o encontro dos Novos Baianos na praça, para uma apresentação especial em comemoração aos 35 anos do grupo. No encerramento do carnaval, na Quarta-feira de Cinzas, há o tradicional encontro de trios em frente ao Farol da Barra. Depois é só descansar.

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