Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Numa conversa informal sobre Gal Costa, o diretor do Canal da Música, César Fonseca, comentou que, além do talento, o peso dos anos ajuda a depurar a arte. ‘‘O artista vai criando um repertório de vida para dizer as coisas. À medida que se torna mais maduro, sua interpretação atinge com mais profundidade a essência daquilo que canta.’’ O CD ‘‘Gal Costa Canta Tom Jobim’’, que está chegando às lojas num lançamento da BMG Brasil, é o exemplo mais bem-acabado dessa definição.
A cantora está particularmente iluminada, num disco que se situa entre os melhores de tudo que ela fez. À celebrizada voz, dá para acrescentar agora uma textura de veludo. Gal está plena, serena, feliz neste disco/espetáculo. Ele foi gravado no início de setembro no Palace, em São Paulo, e é daqueles que dá vontade de ouvir até o fim dos dias.
Tudo é lindo neste trabalho – o clima que ele passa, os arranjos, os instrumentais e a voz de Gal, que aqui soa comovente em todas as faixas. Assim que começa, já a primeira faixa (‘‘Fotografia’’), é de arrepiar a alma. Depois vem ‘‘Por Causa de Voc꒒, de Tom e Dolores Duran, e ‘‘Garota de Ipanema’’, em parceria com Vinícius, que foram grandes sucessos e que se ouve como se bebesse delícias.
Mas a quarta faixa, ‘‘Derradeira Primavera’’, é daquelas maravilhas que tão poucos intérpretes se dão ao luxo de cantar. Ao todo são 24 canções, divididas em dois discos que retratam um momento extremamente feliz de Gal Costa e do grupo que a acompanha.
‘‘Gal Costa Canta Tom Jobim’’ é um disco para se ter vida afora, como se fosse um abrigo perene para nos acolher numa época de tanta submúsica sendo executada. É também o registro fiel de uma excepcional cantora num de seus momentos de luz e prata.

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