Depois de perder um pouco de espaço no século 19, apesar da insistência de alguns compositores, a música de câmara retornou com força e muitos adeptos no século 20. As obras camerísticas, adequadas à execução em espaços menores e número reduzido de instrumentos, são consideradas fundamentais no aprimoramento do trabalho do músico, por exigir extrema habilidade individual.
É esta a performance que a Orquestra de Câmara Solistas de Londrina pretende mostrar hoje, no terceiro concerto da temporada 2000, que será realizado às 20h30, no Teatro Crystal Palace. Segundo o spalla e diretor musical Evgueni Ratchev, este grupo reúne os melhores músicos da cidade e alguns do Estado.
A principal característica de uma Orquestra de Câmara, na opinião do diretor, é a alta importância da individualidade do músico. ‘‘A diferença está na habilidade na forma de execução. Em uma orquestra de câmara, tudo é exposto e cada momento pode ser um solo’’.
Fundada em 1998 com a proposta de cultivar e divulgar a música erudita de câmara, a Orquestra Solistas de Londrina também tem como metas a formação de um público voltado a esse formato e o aperfeiçoamento do músico. Para o violinista Flávio Collins, integrante do grupo, uma orquestra de câmara é o canal para o instrumentista refinar mais seu trabalho. ‘‘Não temos a figura do maestro. Temos que tocar ouvindo um ao outro, procurando a sonoridade certa’’.
A Orquestra Solistas de Londrina sobe ao palco com 13 músicos que tocam violino, viola, violoncelo, contrabaixo e cravo: Nildo Baía, Juliane Martins, Patrícia Rusky, Afonso Barros, Flávio Collins, Jairo Chaves, Natanael Fonseca, Romildo Weingartner, Joel Costa, Jorge Luiz Silva, Irina Ratcheva, Evgueni Ratchev e Andrey Tchekmazov (russo radicado em São Paulo).
A escolha do repertório desta noite, de acordo com Evgueni Ratchev, busca uma variedade de programação, saindo do padrão clássico da apresentação camerística, sem perder o perfil da música clássica, barroca, romântica e contemporânea. Na primeira parte do concerto, a orquestra vai interpretar autores clássicos do repertório camerístico.
O Concerto Op.3 nº 11, Ré Menor – ‘‘L’Estro armonico’’ (A Inspiração Harmônica), de Vivaldi, terá como solistas Evgueni Ratchev, Afonso Barros (violinos) e Andrey Tchekmazov (violoncelo). No cravo, a musicista Irina Ratcheva. ‘‘Nesta obra, existe uma competição instrumental, uma forma típica de instrumentalização italiana’’, explica.
Em seguida, o programa traz uma obra clássica austríaca, Divertimento nº 1 (KV. 136), Ré Maior, de Mozart. ‘‘São três sinfonias para quarteto de cordas que foram adaptadas para a Orquestra de Câmara, com violino, viola, violoncelo e contrabaixo’’, diz Ratchev.
Para a segunda parte do concerto, a idéia é fazer uma diversificação do programa, começando com o compositor romântico inglês Edward Elgar (1857-1934). A Serenata para Orquestra de Cordas (Op. 20) traz expressões românticas típicas da época. ‘‘Como um romântico mais filosófico, Elgar faz uma música tranquila que desperta muitos pensamentos. E tudo é feito de forma simples e concentrada’’, destaca.
Compositores brasileiros também estão no programa da noite. De Alberto Nepomuceno, os músicos vão executar a Serenata para Orquestra de Cordas, composta com recursos do estudo europeu com um leve motivo nacional. O Prelúdio de ‘‘As Bachianas nº 4’’, de Villa-Lobos, vem demonstrar puro lirismo. Evgueni Ratchev salienta a sensibilidade desta peça, na qual um pequeno solo de violino substitui a voz humana, típica das árias de Bach.
Em ‘‘Burrico de Pau’’, Sonata de Cordas de Carlos Gomes, o público poderá perceber a influência da ópera italiana na obra do compositor. Evguevi Ratchev detalha que apesar das raízes brasileiras, a obra tem fortes contrastes dinâmicos, típicos do contemporâneo romântico.
O encerramento do concerto ressalta o trabalho do argentino Astor Piazzola, com ‘‘La Muerte del Angel’’, uma de suas primeiras obras-primas reconhecidas. ‘‘Um tango que usa performance contemporânea parecida com Stravinski, Bach e Bartók e, ao mesmo tempo, inclui elementos do jazz. Este é o diferencial de Piazzola, que faz uma ampla e rápida passagem de um estilo para outro’’.
•‘‘Concerto da Orquestra de Câmara Solistas de Londrina’’ – Hoje, às 20h30, no Teatro Crystal Palace (Rua Quintino Bocaiúva, 15). Direção musical: Evgueni Ratchev. Ingressos a R$ 10,00 (estudantes, funcionários da UEL e aposentados pagam R$ 5,00). Patrocínio: Lei Municipal de Incentivo à Cultura e Lei Rouanet/ Sercomtel Celular, Crystal Palace Hotel, German Car. Apoio Cultural: UEL, CCAA, Microsiga Software, Preview Seguros, Café Londrinense e Safira Água Mineral. Realização: Apolônia Produções Culturais.

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