Em Salvador, o turista é rei
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terça-feira, 29 de abril de 2003
Leandro Donatti<br> Equipe da Folha 
Salvador - Na terra do Olodum, turista é tratado como rei. Alegria, hospitalidade e simplicidade são os ingredientes usados pelos baianos para atrair turistas e visitantes do Brasil e do mundo para Salvador, o principal cartão-postal da Bahia. Fundada em 1549 pelo primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Souza, para ser uma cidade-fortaleza, Salvador é cercada de praias que a gente só vê em filmes. A cidade mistura o rico e o pobre e é um extrato importante da cultura e cara do povo brasileiro.
Terceira maior cidade do País, com aproximadamente 2,2 milhões de habitantes, Salvador tem um acervo histórico-arquitetônico e cultural surpreendente. Nessas horas, a riqueza dos detalhes em ouro da Igreja de São Francisco de Assis faz o turista esquecer a pobreza dos ambulantes que oferecem insistentemente produtos artesanais. À primeira vista, Salvador é como qualquer outra capital brasileira. Mas só à primeira vista, que fique bem claro. A luta por saneamento básico e o empenho em prol da limpeza das ruas, por exemplo, são constantes. Os turistas e visitantes só vêem o diferencial da cidade, na medida que se integram e se entregam.
O misticismo e a musicalidade são traços dos baianos. Só não vê quem não quer o sincretismo religioso. Cerca de 70% da população de Salvador vão à Igreja Católica de dia e à noite frequentam um terreiro de Candomblé. A Menininha do Ganto A morreu dizendo que era católica. Os evangélicos também avançam e a cidade conta hoje com alguns templos monumentais. Salvador é a maior cidade negra do Brasil, em números. A influência africana é forte e são as mulheres, sobretudo, quem mantêm viva a cultura dos orixás. O Candomblé não é visto como uma religião, mas como uma manifestação cultural. Há baianos que garantem que o Rio Grande do Sul tem mais terreiros.
A cidade é muita festa, mesmo fora da temporada de Carnaval. Tem a Festa da Conceição, da Boa Viagem, da Lavagem do Bonfim, do Porto da Barra, do Beco, de Ondina, de Itapoan, de Guarajuba e de Iemanjá. A tranquilidade e o frenesi de uma cidade grande também convivem juntos em Salvador. De um lado, está a Baía de Todos os Santos, com o Centro Náutico, a Bahia Marina e o antigo Forte de São Marcelo. Do outro, o corre-corre do trânsito e o vai-e-vem de pessoas que sobem e descem as ladeiras do Pelourinho.
O jornalista visitou Salvador a convite da Vasp, que tem vôos diários saindo de Londrina, e da operadora CVC, que vende, através de agentes de viagens, pacotes para a Bahia


