Em ritmo de Carnaval
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domingo, 08 de fevereiro de 2015
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Música é contagiante, e na época do Carnaval é difícil não se render ao "samba no pé". Se bem que agora essa tradicional festa que acontece de 14 a 17 de fevereiro - está meio de "cabeça variada". Hoje pode tudo: samba, marchinhas, axé, funk, arrocha, sertanejo, techno brega, 'sofrência' (ritmo nordestino parecido com o arrocha que apela para letras que falam de mulheres 'mal amadas'...), e até a velha lambada, entre outros ritmos.
A cada Carnaval, uma nova música e coreografia caem no gosto popular e, de certa forma, é um "mistério" entender o que realmente vai definir se um hit vai virar sucesso ou não. E não adianta vir com aquela conversa de "jabá comercial" ou "apelo midiático"... O segredo é provocar aquele "efeito chiclete", independente da qualidade sonora ou da letra.
Mas uma coisa é certa: se uma música ou coreografia "pegou" no Carnaval, o sucesso está praticamente garantido até o final do ano. Um exemplo é a canção "Lepo Lepo", de Psirico, que estourou no Carnaval baiano no ano passado. Vale citar ainda a canção "Ai se eu te pego", do cantor Michel Teló, que rodou o mundo.
Antenados com os ritmos de Carnaval, dezenas de alunos se desdobram para no mês que antecede o Carnaval aprender a soltar os quadris, praticar a coordenação motora e se dar a liberdade de movimentar o corpo de um jeito que parece que só no Carnaval nos é permitido fazer literalmente, "soltar a franga".
E assim, diariamente, aproximadamente 35 pessoas de idades diferentes e profissões estão se divertindo com os ritmos carnavalescos oferecidos no "Aquece" do Espaço Latino, escola de dança fundada há 30 anos em Londrina.
"Há 14 anos proporcionamos esse tipo de 'intensivão' às pessoas que querem se preparar para o Carnaval. Procuramos utilizar as músicas que estão na moda e que parecem que vão 'pegar' no Carnaval, mas na verdade não dá para ter certeza absoluta do que vai cair no gosto do povo", comenta o professor e sócio-proprietário Luis Carlos "Mumu".
Para ajudar nessa empreitada dançante, há alguns anos a escola conta com o apoio do professor Ney Oliver, de 35 anos, que começou a dançar ainda menino na Baixada Santista, em Santos (SP). "Há 15 anos moro em Londrina, mas sempre estou me atualizando em Porto Seguro (Bahia), que é na verdade a principal referência de pesquisa de campo sobre ritmos para os professores da área de danças livres", explica.
Criativo e com uma certa dose de timidez, Oliver consegue contagiar seus alunos com seus rebolados e a vergonha passa longe na hora de criar as coreografias com movimentos mais sensuais, sempre contando com o apoio da bela professora e educadora física Daianne Gonzalez.
"Algumas músicas da moda já vêm com as coreografias prontas e a gente só faz algumas adaptações para dar um toque especial, mas, muitas vezes, é tudo tão rápido pelas redes sociais que as músicas já fazem sucesso sem ao menos ter clipes com coreografia e aí a gente tem mais liberdade para criar", conta o professor.
Seja ao ritmo de "Tempo de Alegria", da cantora baiana Ivete Sangalo; "Hoje", da funkeira carioca MC Ludmilla (que faz parte da trilha na novela "Império"); do novo hit da banda de pagode baiano Psirico - "Tem Xenhenhém" - ou "Vem Ni Mim", do MC Ralado (amigo pessoal de Oliver) e Rodrigo de Castro, também da Baixada Santista, o alto astral é geral e dá vontade de sair dançando junto.
A comerciária Cíntia Salomão, de 36 anos, está há sete meses fazendo dança de salão na escola e não resistiu ao entrar no aquecimento para o Carnaval. "É muito legal! A gente perde calorias, desestressa e ainda melhora o humor", afirma.
Já o estudante de educação física Maurício Tavares, de 23 anos, aproveitou para transformar o gosto pela dança em estágio obrigatório no quarto ano da sua graduação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). "Não tenho vergonha de rebolar, me soltar e sou muito seguro da minha sexualidade. O negócio é se dar a liberdade de se divertir e curtir a vida. Uma vez desisti de dançar por causa de uma namorada muito ciumenta, mas hoje saio das aulas de dança quebrado e feliz", diverte-se.


