Curitiba - Existem coisas tradicionais em Curitiba, como tomar um café na Boca Maldita ou pegar um cineminha no cine Ritz. Este último hábito, no entanto, corre o risco de desaparecer. E não pela escassez do público, afugentado pelas más condições da pequena sala localizada bem no meio do calçadão da Rua XV, mas sim por uma questão burocrática. O assunto será definido no próximo dia 14 de fevereiro, quando expira o contrato de comodato firmado entre a Fundação Cultural de Curitiba (FCC), mantenedora do espaço e a empresa proprietária do prédio.
Desde que foi inaugurado, há 20 anos, o Cine Ritz funciona em regime de comodato, em contrato firmado entre a proprietária do prédio, a empresa Redevco braço imobiliário de uma empresa suíça que também controla a rede de lojas C&A e a FCC. Mas no ano passado, o prédio foi vendido e o novo proprietário não concorda com os termos do regime. Segundo a FCC, o interesse do novo dono em renovar o contrato está vinculado à possibilidade de obtenção de receita a partir do prédio.
O presidente da FCC, Paulino Viapiana, informou por meio de sua assessoria de imprensa que todos os esforços estão sendo realizados para evitar o fechamento do cinema, um dos mais tradicionais de Curitiba. Algumas propostas já estão sendo formuladas para apresentar ao novo proprietário no sentido de manter o espaço funcionando. O Cine Ritz tem 264 lugares e somente o ano passado exibiu 1.437 sessões, embora com uma das menores taxas de ocupação registrada nos cinemas da fundação, de 7,6%.
Um levantamento prévio feito pela FCC indica que seriam necessários pelo menos R$ 300 mil para reformar a estrutura física e melhorar o sistema de projeção do espaço. Além do Ritz, a FCC mantém outros dois cinemas, o Cine Groff, na Cinemateca de Curitiba e o Cine Luz. O Cine Guarani, que funcionava no Centro Cultural Portão, no bairro de mesmo nome, fechou suas portas já na gestão passada. Conforme admite a fundação, os dois cinemas que funcionam atualmente também passam por problemas de estrutura física, como falta de conforto e exibição precária.

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