Em prol dos direitos humanos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de novembro de 2009
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Preconceito racial ou religioso, discriminação de idosos ou portadores de necessidades especiais, homofobia. A geografia é diferente mas os problemas são os mesmos, assim como a intenção: cineastas e produtores de todo o continente chamam a atenção do público para questões humanitárias na programação da 4 Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul. O evento acontece em 16 capitais brasileiras e reúne 39 filmes, em exibição em Curitiba de hoje até o próximo domingo, com entrada franca.
''Toda a temática é relacionada aos direitos humanos. Preconceito racial, tortura, liberdade sexual e religiosa, questão dos idosos. Tudo isso está na programação, bem variada'', afirma Carla Pioli, que, ao lado de Bela Pagliosa, assina a produção local da mostra, realizada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, com patrocínio da Petrobras.
A mostra é dividida em duas seções, a Contemporânea, e a Retrospectiva Histórica, além do Programa Especial, com destaque para as obras ''Cavaleiro Negro'', de Ulf Hultberg e Asa Faringer, e a minissérie ''Trago Comigo'', de Tata Amaral; e Homenagem, que valoriza o projeto precursor da produção audiovisual dos índios no Brasil, o Vídeo nas Aldeias. ''A Retrospectiva Histórica tem filmes antigos mas com conteúdos bastante atuais, como o filme ''Também Somos Irmãos''. A Contemporânea tem filmes mais recentes, como o ''Garapa'', do José Padilha, diretor do ''Tropa de Elite''. Já o ''Trago Comigo'', da Tata Amaral, retrata o período da ditadura militar no Brasil'', comenta Carla.
Um dos grandes diferenciais da mostra é a preocupação na hora de exibir os filmes. ''O objetivo é facilitar o acesso para todo tipo de público. A Cinemateca de Curitiba tem espaço para cadeirantes, os filmes são todos legendados, para atender as pessoas com deficiência auditiva, e dois filmes, ''O Signo da Cidade'' e ''Não Conte a Ninguém'', são audiodescritivos, para os deficientes visuais'', explica a produtora.
É a segunda vez que Curitiba sedia a mostra e, diferente do ano passado, quando outro festival de cinema dividiu o público na Capital, a produção deste ano espera uma boa participação. ''No ano passado o público acabou diluído e tivemos em torno de mil pessoas em todos os dias. Este ano a expectativa é de que a sala da Cinemateca, que tem 105 lugares, tenha 70% de ocupação em todas as sessões, com uma média de 300 pessoas por dia.''
Com mais gente vendo a mostra, a expectativa é de que um maior número de pessoas possa difundir os temas relacionados na programação. ''Os lugares são diferentes mas todos sofrem de preconceito racial, religioso ou contra o idoso. Os filmes mostram os mesmos sentimentos através de olhares diferentes'', diz Carla.


