Em perigo
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segunda-feira, 16 de junho de 1997
France Presse Jerusalém 
A cantora de rock irlandesa Sinead OConnor cancelou um concerto pela paz em Jerusalém depois de receber ameaças de morte, informou a artista em uma mensagem enviada ontem às organizadoras.
O concerto estava previsto para o sábado, como parte de uma série de promoções culturais da organização Jerusalem Link, que agrupa mulheres israelenses e palestinas em torno do tema: Compartilhar Jerusalém, duas capitais para dois Estados.
Um ativista israelense, Itamar Ben Gvir, membro do grupúsculo de extrema-direita Frente Ideológica, informou à emissora de rádio militar que havia participado de ações para impedir a apresentação de Sinead OConnor.
O concerto foi cancelado em grande parte por nossa intervenção, adiantou Gen Gvir, sem dar mais detalhes.
A Frente Ideológica tomou o lugar do Kach, um partido racista antiárabe que foi posto fora de lei depois do assassinato de 29 palestinos por um colono israelense em Hebrón, Cisjordânia, em 1994.
A rádio militar precisou que a Embaixada da Irlanda em Israel havia recebido ameaças de morte.
Não posso pôr em perigo a vida de meus dois filhos, de meus músicos e técnicos. Por isso, decidi cancelar esse concerto, precisou Sinead OConnor em uma carta recebida por Daphna Golan, uma das organizadoras israelenses.
Entretanto, continuo apoiando tudo o que possa ajudar a resolver o conflito palestino-israelense sem violências, adiantou a cantora, precisando que seu próximo disco será dedicado à paz em Israel, em Ruanda e na Irlanda do Norte.
Lamentamos o cancelamento, declarou Golan. Informou que as embaixadas de Grã-Bretanha e da Irlanda em Israel haviam recebido ameaças contra a cantora.
Golan denunciou o clima de ameaças que prevalece em Jerusalém desde o assassinato de Yitzhak Rabin (em novembro de 1995) contra todos os artistas favoráveis a uma coexistência pacífica entre israelenses e palestinos.
Segundo ela, o concerto de Sinead se prenunciava como um sucesso, com duas mil entradas vendidas em três dias.
Entretanto, o prefeito direitista de Jerusalém, Ehud Olmert, manifestou sua safistação pelo cancelamento do concerto. Em um comunicado, Oslmert expressou sua indignação pela tentativa das organizadoras de enganar a municipalidade, promovendo uma manifestação política com o pretexto da paz.


