A cantora de rock irlandesa Sinead O’Connor cancelou um concerto pela paz em Jerusalém depois de receber ameaças de morte, informou a artista em uma mensagem enviada ontem às organizadoras.
O concerto estava previsto para o sábado, como parte de uma série de promoções culturais da organização ‘‘Jerusalem Link’’, que agrupa mulheres israelenses e palestinas em torno do tema: ‘‘Compartilhar Jerusalém, duas capitais para dois Estados’’.
Um ativista israelense, Itamar Ben Gvir, membro do grupúsculo de extrema-direita ‘‘Frente Ideológica’’, informou à emissora de rádio militar que havia participado de ‘‘ações’’ para impedir a apresentação de Sinead O’Connor.
‘‘O concerto foi cancelado em grande parte por nossa intervenção’’, adiantou Gen Gvir, sem dar mais detalhes.
A ‘‘Frente Ideológica’’ tomou o lugar do ‘‘Kach’’, um partido racista antiárabe que foi posto fora de lei depois do assassinato de 29 palestinos por um colono israelense em Hebrón, Cisjordânia, em 1994.
A rádio militar precisou que a Embaixada da Irlanda em Israel havia recebido ameaças de morte.
‘‘Não posso pôr em perigo a vida de meus dois filhos, de meus músicos e técnicos. Por isso, decidi cancelar esse concerto’’, precisou Sinead O’Connor em uma carta recebida por Daphna Golan, uma das organizadoras israelenses.
‘‘Entretanto, continuo apoiando tudo o que possa ajudar a resolver o conflito palestino-israelense sem violências’’, adiantou a cantora, precisando que seu próximo disco será dedicado à paz em Israel, em Ruanda e na Irlanda do Norte.
‘‘Lamentamos o cancelamento’’, declarou Golan. Informou que as embaixadas de Grã-Bretanha e da Irlanda em Israel haviam recebido ameaças contra a cantora.
Golan denunciou ‘‘o clima de ameaças que prevalece em Jerusalém desde o assassinato de Yitzhak Rabin (em novembro de 1995) contra todos os artistas favoráveis a uma coexistência pacífica entre israelenses e palestinos.
Segundo ela, o concerto de Sinead se prenunciava como um sucesso, com duas mil entradas vendidas em três dias.
Entretanto, o prefeito direitista de Jerusalém, Ehud Olmert, manifestou sua safistação pelo cancelamento do concerto. Em um comunicado, Oslmert expressou sua indignação pela tentativa das organizadoras de ‘‘enganar a municipalidade, promovendo uma manifestação política com o pretexto da paz’’.

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