‘‘Contra-Ataque/Ária Final’’, com a Cia. Regina Miranda e Atores Bailarinos. Hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde em Londrina (a cerimônia de lançamento do FILO começa às 19h30). Criação, direção, coreografia, trilha sonora e roteiro musical: Regina Miranda. Bailarinos: Iza Kokay, Marina Salomon, Cyro Figueiró, Renato Cabral, Gahccia Duarte, Adalberto Souza e Edson Farias. Os ingressos para a Mostra custam R$ 10,00.Jackeline Seglin

DivulgaçãoCena de ‘‘Contra-Ataque’’:
ritmo desesperado e
muita percussão em cenaDezenove minutos de tirar o fôlego, num espetáculo emocionante. Pela primeira vez em Londrina, a Cia. Regina Miranda e Atores Bailarinos, do Rio de Janeiro, promete uma dose de fortes emoções ao público do Festival Internacional (FILO). A companhia foi convidada para fazer a abertura do evento hoje à noite, no Cine-Teatro Ouro Verde, logo após a cerimônia de lançamento, que começa às 19h30.
O espetáculo reserva para o público o que há de melhor na dança contemporânea brasileira. Mesclando técnica, criatividade, ousadia e força, a Companhia leva ao palco a coreografia ‘‘Contra-Ataque/Ária Final’’, tema que aborda as principais batalhas do século, numa dança de grande intensidade dramática que revela os estados de guerras interiores.
A coreógrafa Regina Miranda, responsável pela criação, direção, trilha sonora e roteiro musical de ‘‘Contra-Ataque’’, conta que o espetáculo trata o tema da guerra através de seus ritmos. Nele, os corpos dos bailarinos são usados como armas dançantes. ‘‘Não abordamos o sentido descritivo da guerra, mas os ritmos que ficam impregnados no corpo de cada um de nós. As guerras imprimem condutas pessoais’’. Regina explica que a coreografia faz referências a situações de guerra, como a da Bósnia, mas também relata condutas pessoais de avanços e recuos, ataques e defesas, marchas, fugas, triunfos, assédios, agressões e medo. ‘‘A gente costuma pensar em grandes guerras, mas existem focos de guerras menores e não oficiais. A guerra das drogas, a guerra conjugal, por exemplo’’.
Regina Miranda estabelece uma analogia aos diversos combates como resposta à perplexidade diante da morte. Através de movimentos que exigem destreza e precisão, força física, coesão e resistência, explicam-se os 19 minutos que tiram o fôlego não só da platéia, como dos próprios bailarinos. ‘‘Contra-Ataque’’ tem um ritmo desesperado e utiliza muita percussão em cena, criada originalmente para o espetáculo pelos compositores Luiz D’Anunciação e Rodolfo Cardoso.
Durante a apresentação, o público é integrado ao espetáculo. Regina Miranda adianta que a montagem tem planos de luz que cortam o espaço e a platéia, induzindo a uma participação espontânea do público. O recurso de raios laser, utilizado não como simples elemento técnico, causa respostas surpreendentes na platéia: às vezes medo, outras fascínio. ‘‘Nessa hora, cria-se uma movimentação no público, uma dança paralela. Há respostas rítmicas do que acontece no palco’’, diz. Esse cenário remete a guerras contemporâneas, que mostram os céus cortados pelos raios laser.
‘‘Contra-Ataque/Ária Final’’ estreou em abril do ano passado, na Mostra Seis Coreógrafos Brasileiros, no Rio de Janeiro, e foi considerado um dos melhores espetáculos da noite.
A pesquisa para a montagem de ‘‘Contra-Ataque’’ tomou quase um ano da companhia. Outros elementos, como teatro, música e arquitetura, são incorporados às montagens do grupo. ‘‘A literatura está diretamente associada aos nossos trabalhos. Neste espetáculo, é um elemento de subsídio para construção dos guerreiros. São vários relatos, várias situações, que são um suporte interno.’’
A Companhia Regina Miranda tem no total 15 atores-bailarinos, mas somente sete estão no elenco do espetáculo que será mostrado em Londrina.
Com lançamento hoje à noite, a Mostra Regional/Nacional começa oficialmente na sexta-feira e prossegue até o dia 3 de maio. A fase internacional do Filo acontece de 19 a 31 de maio.

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