Em pauta, o mercado audiovisual
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segunda-feira, 02 de junho de 1997
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
DivulgaçãoCenas de Imagens esquecidas, Velho Projeto, feito em Curitiba; erotismo e poesiaDurante três dias, a partir de hoje, acontece no Centro de Convenções da Fiesc, em Florianópolis, o 1º Seminário de Cinema e Televisão do Mercosul. A pauta do encontro é a abertura para o cinema brasileiro, que sofre os mais diversos entraves e, como consequência, mantém-se no limbo, numa luta quase inglória. Além de novas políticas de exibição, tem outro fator muito importante a ser discutido: a parceria do cinema com a televisão.
Este é um aspecto ainda muito recente no Brasil que só agora começa a ser tratado com maior atenção. A criação de um seminário que discutirá parcerias de cinema com a televisão é não somente oportuna, mas fundamental, disse Esdras Rubin, coordenador do Festival de Gramado.
Enquanto nos Estados Unidos o mercado interno de audiovisual movimenta algo em torno de US$ 11 bilhões, segundo o Financial Times, de maio de 1996, o Brasil, mesmo com o renascimento do setor, mantém-se com os mesmos números de 20 anos atrás.
Ou seja: praticamente 97% do mercado exibidor em salas e 100% do mercado em exibição em televisão é de filmes americanos. Não há possibilidades da produção nacional se firmar porque não possui os canais de comercialização e de exibição, diz o fotógrafo e articulador cultural Jorge Monclar.
Para tornar o quadro ainda mais perturbador a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro apresenta outros números: o mercado consumidor nacional de cinema gera, pelo menos, US$ 1 bilhão ao ano, e em contrapartida o produto nacional não participa sequer de 1% desta receita.
MercosulA saída é estabelecer parcerias e amenizar as leis federais que em nada contribuem para o aquecimento da produção. O Mercosul pode ser um dos desses novos caminhos que poderiam até mesmo mudar o panorama cultural dos países do Cone Sul, com olhos voltados tão somente aos filmes norte-americanos.
Tango Feroz, de 1993, e Caballos Selvajes, de 1996, produções que levaram quase 3 milhões de argentinos aos cinemas, no Brasil tiveram distribuição medíocre. Em contrapartida Carlota Joaquina e O Qu4trilho que foram vistos por quase 2,5 milhões de brasileiros, ainda não têm distribuição garantida na Argentina. Foi exibido na Mostra Mercosul, em Buenos Aires.
Organizadora da Mostra Cinema do Mercosul, no Rio de Janeiro, e diretora da Pulsar Artes, Ângela José afirma que agora o principal objetivo é formar platéias para o cinema latino-americano. Se você não forma platéias, não há interesse do distribuidor pelo filme, analisa ela. Jorge Monclar é da opinião de que se não houver vontade política, não haverá solução para o Mercosul.
Esses aspectos serão discutidos por representantes dos diversos países, como o cineasta Fernando Solanas, da Argentina, Hugo Cammara, diretor da Cinemateca do Paraguai, Eric Nepomuceno, secretário de Intercâmbio e Projetos Especiais do Minc entre outros.
Curitibanos no SeminárioO Museu da Imagem e do Som está levando para o encontro de Florianópolis a mostra Panorama Recente do Audiovisual Paranaense, com vídeos independentes da nova safra de realizadores. São sete trabalhos a serem apresentados.
Correspondente Nacional, de Márcio Veiga da Costa, é um documentário que faz nostálgica homenagem ao rádio e TV paranaenses, utilizando imagens do telejornalismo dos anos 70. Impressões de Guido Viaro, de Carlos Henrique Túlio, detém-se sobre as gravuras do pintor Guido Viaro, com narração de Paulo Autran.
DivulgaçãoImpressões de Guido Viaro, de Carlos Henrique Túlio: narração de Paulo Autran
O Último Fazedor de Cana, de Fernanda Morini e Jussara Lacatelli, mostra a construção de uma canoa de um pau só, construída por Sebastião da Serra Negra, na Mata Atlântica. Imagens Esquecidas, Velho Projetor, de Tiomkim, é um vídeo-arte experimental que aborda erotismo e poesia, com poemas de Marcel Escobedo.
A Grande Depressão, de Paulo Munhoz, é uma comédia amarga sobre as desventuras de um executivo em crise amorosa. Que Fim Levou o Vampiro de Curitiba, de Estevan A.S., é um trabalho ficcional que faz um passeio autobiográfico num dos contos de Dalton Trevisan.
Piás do Zodíaco, de Túlio Viaro, Arthur Ratton e Cleverson Antunes, é um vídeo arte que conta com a participação de Zé do Caixão e dos garotos moradores da Casa do Piá da Prefeitura Municipal de Curitiba. Vídeo premiado no Rio-Cine Festival em 1996.


