A filosofia excluiu a sabedoria trágica de seus escritos. Com exceção de Nietzsche e uns poucos, a tradição bem pensante baniu a análise das incoveniências da existência relegando as noções de desordem, caos e acaso à arte e à literatura.
Esse discurso à margem, porém, parece ganhar fôlego nesta virada de milênio rondando diversos núcleos de inteligência do país. Prova disso é a realização do Colóquio Internacional ‘‘O Trágico e seus Rastros’’, de 6 a 9 de março, na Universidade Estadual de Londrina com participação de celebridades como o sociólogo francês Michel Maffesoli, o teatrólogo paulista José Celso Martinez Corrêa e o filósofo carioca Roberto Machado.
A programação inclui conferências, minicursos, exibição de vídeos, oficina de teatro, leituras dramáticas, sessões de comunicações e lançamento de livros. O evento é organizado conjuntamente pelo Grupo de Pesquisa Perspectivas Nietzchianas, Grupo de Pesquisa Marcas do Trágico em contos de Machado de Assis e Guimarães Rosa, Núcleo de Música Contemporânea e Núcleo de Estudos do Romantismo (NERO) – todos vinculados à UEL.
Maffesoli, o principal convidado, vai fechar o colóquio no dia 9 com a conferência ‘‘O Retorno do Trágico’’. É sua segunda visita a Londrina, onde esteve no começo da década de 90. Propagador do termo pós-modernidade como instrumento de interpretação da cultura contemporânea, é um dos pensadores franceses que com mais frequência vem ao Brasil, onde tem dezenas de livros publicados, entre os quais ‘‘Tempo das Tribos – o Declínio do Individualismo nas Sociedades de Massa’’, ‘‘O Conhecimento Comum’’ e ‘‘Elogio da Razão Sensível’’.
Maffesoli é professor da Sorbonne e diretor do Centro de Estudos sobre o Atual e o Cotidiano. Será a única atração estrangeira do evento. José Celso Martinez Corrêa, outro chamariz da programação, vai compor a mesa ‘‘Teatrvum Philosophicum II’’ ao lado de Luis Orlandi, Oswaldo Giacoia Jr. e Roberto Machado. Giacoia, já familiar da comunidade acadêmica local, esteve na UEL no ano passado ministrando um curso sobre Nietzsche.
Roberto Machado, outra presença aguardada, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autor de livros estimulantes sobre Nietzsche, Michel Foucault e Gilles Deleuze. No dia 8, ele ministra o minicurso ‘‘Nietzsche, a Epopéia e a Tragédia’’. Além dos citados, o elenco de participantes do colóquio inclui Alfredo Naffah (PUC-SP), Yara Caznok (UNESP-SP) e Kathrin Rosenfield (UFRS).
Para o dia 7 está programada uma leitura dramática do prólogo da obra ‘‘Assim falava Zaratustra’’, de F. Nietzsche. A encenação vai marcar o encerramento de uma minioficina supervisionada pelas professoras cariocas Irley Franco, Elsa Buadas e Susana Pires. As inscrições para participar do Colóquio podem ser feitas nos Departamentos de História, Arte, Filosofia e Letras da UEL. Custam R$ 15,00 (para alunos), R$ 20,00 (professores) e R$ 25,00 (outros). Caso o participante se interesse em fazer mais de um minicurso será cobrado uma taxa de R$ 10,00.
• Mais informações sobre o Colóquio Internacional ‘‘O Trágico e seus Rastros’’podem ser obtidas pelo telefone (43) 371-4486 ou pelo e-mail: [email protected].

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