Um fato raro no meio teatral londrinense. A peça ‘‘A Mala do Lázaro’’, estrelada por Lázaro Câmara, estreou em março do ano passado e permaneceu em cartaz até dezembro. Dirigida por Caio Júlio Cesaro, sob texto de Márcio Américo, a peça era apresentada toda terça-feira no tradicional teatro Zaqueu de Mello.
O grande responsável pelo êxito, o ‘‘showman’’ (como ele se define) Lázaro Câmara revela-se entusiasmado com a boa aceitação do público: ‘‘É difícil um espetáculo com atores que ainda não são consagrados ficar por tanto tempo em cartaz’’. Lázaro lembra que nos anos 80 a peça ‘‘Toda Nudez Será Castigada’’ (de autoria de Nelson Rodrigues, encenada pelo grupo Delta de Teatro e dirigida por José Antônio Theodoro) se manteve por um bom tempo ao ter alcançado sucesso em festivais nacionais e internacionais: ‘‘Tinha fila em todo o quarteirão do Zaqueu, mas a diferença é que eles tinham sido premiados, eu ainda não’’.
Aos 43 anos, Lázaro participou de mais de 30 espetáculos, mas nunca tinha permanecido tanto tempo com uma peça: ‘‘Faço teatro desde os tempos da escola, onde aprendi tudo com o professor José Avanço. Já trabalhei como palhaço, mas este espetáculo me surpreendeu’’. Segundo o ator, ‘‘A Mala do Lázaro’’ chegou a contar com 90 espectadores (sua maior platéia em Londrina), mas, em algumas ocasiões, enfrentou um reduzido público de 15 pessoas. O espetáculo também foi apresentado em cidades da região, como Sertanópolis, Uraí e São Sebastião da Amoreira. Em Ibiporã, Lázaro teve seu público recorde: cerca de 500 espectadores.
Durante a peça, o humor de Lázaro Câmara se reveste em cinco personagens: o apresentador (que parodia alguns showmen), o chavão (um mecânico rústico), Zé Café (caipira), Dr. Barney (cientista maluco) e Camelô (homenagem aos artistas de rua). Para o intérprete, o sucesso da peça se deve à interatividade: ‘‘O Dr. Barney atende alguns pacientes na platéia... o público gosta muito’’.
A peça deve voltar a ser apresentada em março deste ano, e, novamente, irá prosseguir até dezembro no Zaqueu de Mello: ‘‘Só falta acertar a data de estréia, pois o teatro vai passar por reformas’’.

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